Urtiga Eletrônico # 1 - Jornal Poético Para Manter As Engrenagens Do Cérebro Lubrificadas:

Expediente:

Editores: Petter Baiestorf & Elio Copini.
Diagramadores: Jack Zombie & Roger Psycho.
Colaboradores: Carli Bortolanza, Däni-el Macedüs, Hiirís Lassorian, Anderson Dino, Sofia Guerra, Evaristo Tanon, Cesar Souza, M. Lopes, Sammis Reachers, Bia, Fernando Rombola, Eunice Mendes, Wagner Teixeira, Alexandra Baptiste, Denise V., Bessa.

Julho de 2004.

Agradecimentos pela diagramação do Urtiga Papel: Macedüs, Daniel Villa Verde & Gustavo Insekto.

Editorial:

Urtiga chegou para tentar te fazer pensar, tentar te fazer enchergar-sentir o mundo sob outra ótica, outro olhar, outra ideologia. Rejeitamos este mundo desigual cheio de líderes proféticos-morféticos que governam perpetuando a miséria.

À propósito, Você sabia que o mundo nunca teve tantos miseráveis quanto agora ???

Sim, queremos fazer você ver que a sua felicidade é falsa, que você luta para manter um sistema social fundamentado sobre mentiras políticas, que você é um trabalhador-escravo que colabora para manter a divisão de classes e que, acima de tudo, você não possuí mais tempo para seus semelhantes e, muito provavelmente, nem para si próprio (a), afinal, quando foi a última vez que você tirou um dia para ficar sozinho (a) consigo mesmo (a), numa conversa íntima, numa profunda análise pessoal ?

Urtiga chegou para queimar cérebros e faze-los pensar-funcionar !!! Pensar em pequenas atitudes que você poderá tomar para melhorar o mundo ao seu redor, por exemplo, fala-se tanto em preservação da natureza, mas você deixa de sair com seu carro para ir ao serviço ou qualquer outro lugar ? Em cidades pequenas como as que temos no Oeste Catarinense (e boa parte do Brasil) você pode fazer tudo, tudo mesmo, de bicicleta ou até mesmo a pé !!! Faz bem para sua saúde e também para seu bolso (sem gastos com gasolina, manutenção do carro - e das guerras - academias de ginástica acefálicas, etc...) !!! E isso tudo antes que eu me sinta obrigado à espalhar bicicletas brancas e triciclos verdes pelas cidades com a finalidade de deixa-los para o uso coletivo !!!

Urtiga chegou para discutir as pequenas mudanças através da poesia, crônicas libertárias, textos, indicações de livros e mais e além, e para isso queremos sua ajuda, suas opiniões, sua voz de povão abandonado !!!

Os próximos números virão em breve, melhorados e aprimorados no que for possível !!!

Baiestorf '04.

Reflexão:

Este ano tem eleições municipais! Não seria interessante se votássemos todos em branco e tomássemos as prefeituras da região para praticarmos um municipalismo libertário auto-gestivo ???

Poesias:

Tá Pronto !

Gira, gira disco negro
e os cabelos frizados daquela mulher agarram-se às
costas cobertas como velcro grudento.
Os olhos perdidos pela música louca, piram e giram como os discos negros na parede. E sorrisos puxados, duros e claros de dentes amarelo-reluzentes desmascarando deslumbramento.
Dentes lisos e brilhantes de saliva ardente, solvente para meu corpo quente e travado, refugiado na amante, escondido na mentira de querer só uma noite de diversão; Para !
Proibido Estacionar
Sinal vermelho
Um fundo fumegante e púrpuro cobre estes segredos embriagados como cortina-cega, olhos barrentos e lábios cantantes trêmulos de quem quer guardar segredos selvagens !
Ah noite louca que vai fugindo de minuto a minuto, molhando a rua lá fora pondo seus demônios e seus anjos prá dormir.

de Bia.

Então Ele Disse !

- Não é beronha maldita,
perseguidora infinda
de minha pútrida chaga !

de Anderson Dino.

Átila

Por muitas gerações
Louvaram o templo
Onde habitava o esquecimento.
Eram olhos aflitos
Que apenas confessavam
Segredos que não eram reais,
Aflições que não eram duradouras.
Congratulavam-se na dor e no testemunho.
Mas em vão.
O dia e a noite deixaram de existir.
Lutas sangrentas foram travadas sem trégua.
Ouvia-se apenas o retinir de espadas frias e indiferentes,
O relinchar de cavalos obscenos e ofegantes,
E o grito de morte na superfície insana.
Nem todos aceitavam o triste destino,
Imersos que estavam na nostalgia
Obscura de seus próprios tormentos.
Crianças inocentes ainda arriscavam
Conjecturas de infância
No subterrâneo indomável
De suas aventuras imaginárias.
Os pais timidamente as censuravam.
O medo tornara-se real,
Demasiadamente real.
Não era uma lenda nem um mito.
Necessário era ficar em silêncio
E esperar,
Apenas esperar.

de Hiirís Lassorian.

Uma Escova De Dentes

sobre o escuro
pareceu um peixe
projetada em luz
um feixe.
Estranho sentimento
me tomou
por dentro
um certo medo.
Lá fora um vento
árvores sorrindo
ruas varridas
Não quero vazios.

de Eunice Mendes.

Mais Uma Versão

A humanidade
é (como) uma criança
cuja mãe
morreu no parto.
Orfã paradigmática e total
livre e aprisionada no Universo
sem iguais ou covalentes.
Uma criança
que criou-se a si mesma,
imitando à sua maneira
os lobos.

de Sammis Reachers.

Custo - Idea Corporation

Qualquer que seja a idéia
A idéia é essa
Ela tem um preço
Mas não te preocupe
Por que ela é tabelada
Custa: R$ 12,38
Tá carimbado.

de Däni-El Macedüs.

Maior Mediocridade

Quando todo mundo, ou a maioria
esmagadora diz que você está errado,
ou até mesmo zombam de ti. Vá em frente.
Algo interessante você deve estar fazendo,
pois despertou a fúria
da
mediocridade.

de Däni-El Macedüs.

Preto E Branco

(apodrece o dia na sombra da noite - produnda,
decompondo-se em alimento para o verme - tempo)
o silêncio das trevas retumba,
e a força da luz com o vento se esvai,
trazendo, a mim, a morte numa bela penumbra:
a pálpebra do meu viver pesadamente cai
e a estrábica existência fica a me corroer:
uma hora diz: permanece outra hora diz: vai
( o podre dia pó vira:
alma e espírito: discórdia
sentimento e verdade: mentira
ódio e morbidez: concórdia )
a verdade decadente tropeça e esmorece
as palavras do coração efluem sem sentido,
na noite que trás a verdade que é a mentira que cresce,
eu, um menino crédulo, vejo-me fodido:
e a rosa cor-de-esperança no meu jardim fornece
o peito dói nas noites insones que passo no meu leito: febril:
odiando, odiando, odiando, odiando e odiando:
as noites, as vozes, a vida-cor-de-anil,
o tédio e todos. o meu quase cadáver vai caindo,
raramente, em sono, onde pesadelos mortos mil,
dançam, cantam, falam, me esperam e vão saindo,
fedendo
de tanto crer, em nada mais acredito. fé já não tenho
o mundo, o humano, o existir são preto e branco,
da sinistra mão, em palavras, crio um medonho desenho,
esboço da minha verdade, que é mais uma mentira,
para ser franco.

de Fernando Rômbola.

Ditador

Sua voz potente clama por sangue.
Seu braço de ferro aniquila os fracos.
Os oprimidos lambem seus pés.
Os rebeldes são fuzilados em praça pública.
O bondoso ditador morreu durante o bom sono,
Vítima de tão singelo ataque cardíaco fulminante...
Outro herói nacional é enterrado !!!

de Petter Baiestorf.

Samba - Rock - Metal - Alternativo

Carnaval
Bundas passantes
Dá licença meu irmão preciso te roubar
Bebo mais uma
O meu samba é assim
Abre a boca, porta bandeira
Que eu preciso vomitar.

de Wagner Teixeira.

Um Remédio Excêntrico

Três capsulas por dia.
Ao amanhecer: O sol acorda o dia devagarinho esperando
pelo teu sorriso fresco de hortelã.
A tarde se veste de preguiça marota e te abraça de mansinho
querendo ouvir mais de perto a delícia da tua voz.
A noite: Estrelas são adornos preciosos que a natureza pintou
no escuro mas o teu olhar querido brilha tanto e vale
muito mais.

de Sofia Guerra.

Não Vejo Ninguém

Não vejo nada.
Não vejo ninguém.
Meus olhos abertos vêem apenas a escuridão ?
Sonhei com a noite eterna...
... mas não com a cegueira.
Sei que não estou só, que tudo existe como sempre existiu.
Não acho uma faca, o que seria uma solução para meu problema.
Não vejo mais meus sonhos, nem minha cama.
A tristeza também não vejo.
Meus olhos cegos não vêem mais nada.
Nem mesmo as lembranças, nem os sonhos.
Gostaria de ver o copo, a garrafa, mas o garçom me atende igualmente.
A escuridão predomina, mas não a vejo...

de Carli Bortolanza.

Vive Le Vin !

Que vertigem é essa, que circula entre as
Pernas, e sobe deliciosamente até o cérebro,
Depois de uma taça de vinho ?
Ele é capaz de nos devolver as ilusões
Infantis, e de nos levar ao extraordinário
ardor da boêmia.
Vive le Vin !
Que até Baco, leva à loucura,
Que dirá nós, um reles mortal.
Eu, que passei o dia inteiro esmagado por
desejos insanos encontro em ti, óh ! Amigo
Nefando, o mais doce descanso.
E então com os olhos úmidos, sinal
De uma embriaguez inevitável, vejo-te
Esvaindo dentro de tua bela forma.
Mas logo surge outra garrafa,
Com a mesma aparência provocante,
daquela que outrora morrera em minha
Boca.

de Alexandra Baptiste.

Textos:

Violência Urbana

Uma mãe espanca, "calmamente"
Uma criança que não queria andar.

de Bessa.

"Sou contra todas as leis, inclusive a lei da gravidade !!!"

Bessa.

Manifesto De Um Suicida

A morte pode não ser a solução,
Mas,
Com certeza, é o fim.

de Bessa.

Com As Vogais Coloridas E As Ritmadas Consoantes De Rimbaud, Escrevi Silêncios.

Nos braços daquele Demônio encontava um céu sombrio, o céu onde eu entrava, o céu onde queria ser abandonada; onde ambos ganhávamos licença de planar despreocupados num paraíso de penas alvas e almiscaradas. Mas o Demônio me desgraçava, me despia e morrendo de horror, queria me esconder calada fazendo me jurar milhares de vezes que nunca mais iria embora. Queria falar todas aquelas coisas que ardiam no meu peito. Palavras brotavam da minha boca como cogumelos venenosos que aparecem depois da chuva. E ele os comeu, engoliu da minha boca todo o orgásmico bálsamo de uma mulher. E com olhos cintilantes de sol, girou, e girou, e girou mais rápido soltando uma gargalhada demente e incendiando todo o lugar onde os sentimentos moram. A verdade é que sinto muita saudades daquele inferno efervescente, daquela dor constante, dilacerante veneno para meu corpo torto acostumado a festins orgíacos. Não !!! A escada lúgubre que liga as profundezas ao mundo pobre está desaparecendo ! Devo ficar ? Devo voltar ? O meu Demônio já não está aqui ele teve de ir embora. Ele não se contenta em desgraçar poucos corações, ele é um homem de multidões, ele quer milhares de almas tolas, ele quer muitos lamentos, muitos gemidos, aqueles gemidos de dor que quase nunca ouvimos. Ele se foi. Aprendi roubar almas com ele; ele me ensinou muitas coisas, uma delas é roubar almas; como a minha pertence a ele. Àquele Demônio tão cheio de orgulho e beleza que mais parece um Deus.

de Sofia Guerra.

Santa Igreja Da Roubalheira Consentida

Uma gata prenha cheia de pulgas olha gordos trovões e seios amolecidos iluminados pelos relâmpagos na noite das orgias gastrostomicas lançadas via intravenosa por crianças com pernas amputadas e trangênicas senhoras calçando chinelos podres que sonham em transar com o Bispo da Santa Igreja Católica da Roubalheira Consentida, abarrotada de ouro Latino, que gargalham da sorte dos indígenas excluídos bebedores de raízes e água poluída vertente das entranhas da mãe-terra infestada minhocas Euro-mutantes cheias de perninhas-mãozinhas gatunas invisíveis que proíbem os nativos de se rebelarem. (Índio falastrão, fique deitado na sombra, não pense, não grite, não discuta !!! Índio falastrão, espere em silêncio que o belo pelicano de busto siliconizado made in U.S.A. te devore !!!).

Mande-me uma cereja rosa, pingando líquidos cheirosos, para mim esfrega-la na cara !!! Mande-me uma cereja peluda para arrancar os pentelhos da guria com os dentes e faze-la gemer o pai-nosso durante o gozo masoquista !!! Mande-me uma cereja virgem que clama por uma estátua do Papa lhe rasgando o hímen enquanto tenta se concentrar para visualizar o exato instante do casamento do anão judeu negão com seu padre pedófilo arrependido (mas de véu e grinaldas) adorado por toda uma geração de velhas fêmeas cegas que se banham na putrefacta água benta dos pântanos do cristianismo secular !

A secura das pupilas da garota que cai no abismo da eternidade me pertence tanto quanto o convento repleto de dançarinas rodopiantes que lambem o umbigo peludo das santas madres superioras bebedoras de líquidos etílicos construídos na montanha de Jodo durante uma tempestade maligna provocada por guerrilheiros que fugiram do hospício em que você reside !!!

Chame o padre e lhe diga que tua mão não mais irá alimenta-lo !!! (Neste meio tempo reunirei todas as bíblias do mundo e com elas construirei casas populares para os pobres...).

Os cavalos ateus da liberdade rasgarão ao meio o Papa e toda a corja de parasitas que o acompanham e o estouro das tripas papais sagradas imitarão o som da vitória e o riso das mocinhas inocentes se misturarão ao sangue excrementado de Cristo (aquele que sente falta de uma cruz para que você, leitor, sinta pena dele e o carregue para todo o sempre na tua corcunda inútil adoradora da miséria humana e escrava dos nunca vistos nem sentidos castigos divinos !!!).

de Petter Baiestorf.

O Dia Em Que As Árvores Antropofágicas Se Rebelaram

Quando as árvores antropofágicas se rebelaram

os vermes artrópodes entram em combustão

Hoje. Somos caça. Brinquedos. Passatempo. Um arbusto devorou minha mãe. meu pai se refugiou no centro da terra. Força de resistência: Os primatas planejam um ataque maciço, carga total. Os outros, nem sim nem não, afinal tanto faz no fim das contas. Exemplificando: As vacas mugem, apenas esperando o momento de serem pastadas. Não adianta. É tudo inútil. Prá que relatar esta história ? Não existe mais papel. Sou uma ilusória exceção, e em breve estarei também extinto.

de Wagner Teixeira.

Era (Mais) Uma Vez...

Mergulhou as duas mãos em concha para sorver um refrescante gole da água totalmente pura do pequeno lago plácido, entre as rochas do bosque sagrado. Por um acaso previsivelmente natural, se viu refletido no espelho cristalino. Nunca havia reparado na própria figura, distraído e satisfeito com a beleza e pureza daquele lugar paradisíaco.

Comparou-se com a beleza das Ásthias, a graça das Sílfades, a perfeição das Hymenas e com a agilidade e leveza dos Frounos e Pówyts. Não tinha ele atrativo nenhum. Olhou com respeito para as árvores milenares da Verdade e apequenou-se ante as silenciosas e poderosas Pedras Do Sempre; De que adiantava seus pensamentos se eles se soltavam e dissolviam no ar como a flatulência leve de uma fada-menina ? De que adiantava livre arbítrio se todos, absolutamente todos os caminhos do bosque davam para um mesmíssimo... lugar nenhum ? Para que raciocinar, divagar, duvidar, explorar, explicar, se apaixonar, complicar, se tudo que precisava para viver era... Ar... ? Envergonhou-se por ser um poço de imperfeição cercado de maravilhas por todos os lados. Esticou a mão até um arbusto e apanhou um longo espinho de Pilrripeiro Roxo. Enfiou o agulhão no olho esquerdo e depois no direito. Quando sentiu o sangue quente lavar-lhe o peito, com força e firmeza cravou o longo espinho no próprio pescoço e o puxou de um lado para o outro, rasgando a garganta. Ainda conseguiu gritar : "Por que me fizeram assim ???" Então, pela primeira vez em milhões de anos, todo aquele lugar sagrado se entristeceu e chorou. Mesmo a sábia Mãe-Natura também errava. Criara um jovem herdeiro, nobre e apto a admirar e desfrutar toda a beleza e inteligência daquele paraíso, mas lhe embutira uma pesada, tola e conflitante carga de... humanidade...

Bendito é o fruto abortado do teu ventre, oh, mãe-senil !

Por isto os idiotas, retardados, comatosos, microcéfalos, acéfalos, preguiçosos mentais e os puros de cérebro herdaram teu reino e vivem contentes, sem saber onde estão...

de Cesar souza.

Cala-te Oh Rapariga Chorosa !

Aqui dentro não há mais espaço para tuas loucuras. Arranca estes teus olhos que só espelham as desgraças do mundo. Corta estes teus negros cabelos serpenteados que me miram com olhos de fogo e perfumam os fracos de sentidos.

Enfiarei em cada uma de tuas unhas uma estaca para cobrir de risos toda tua dor. Leve daqui este teu corpo sinuoso, tuas lágrimas sangrentas, tua voz misteriosa. Mística, maligna, Medusa. Nem Baudelaire, nem Rimbaud, nem Poe querem tua cabeça adornada em art noveau numa bandeja prateada como prêmio.

Vai, desce as escadas que ligam este pobre mundo às profundezas escuras criadas por ti. Rasgue este ventre farto quais rebentos são monstruosas criaturas que carregam quimeras de sofrimento por onde vão. Teus frutos amaldiçoados não são bem vindos ao meu coração. Desfaça, derreta, desmanche tua própria imagem fantasiosa da lembrança de todos aqueles que te olharam, te glorificaram, te adoraram um dia; e de todos aqueles que hipnotizados dentro do mármore gelado da sepultura ainda te amam.

de Evaristo Tanon.

Consuma - Ação

Adorava fazer listas de tudo que possuía, das pessoas que já havia possuído, do que desejava possuir futuramente e de como já tinha sido possuída por coisas, pessoas e criaturas. Começou então pelo próprio corpo: Meia dúzia de frieiras que sangravam e ardiam, pêlos e pentelhos que cresciam eternamente, celulites e gorduras localizadas, cera acumulada de ouvido, ramelas, cuspes de dentes cariados, piolhos e caspa, corrimento cremoso branco e uma verruga no cu. Se olhou no espelho mais por costume do que por necessidade. Era a mesma mulher linda e cheirosa, só faltava tomar banho e tudo ficava novo. Aí partiu para a segunda etapa: O guarda roupa. Nenhuma roupa nova, jaqueta de 500 mil anos atrás, casaco de plástico, calças jeans rasgadas, meias furadas, calcinhas manchadas no fundilho, blusinhas antigas e mini micro extra pequenas saias. Estoque de papel higiênico (40 rolos), calhamaços de revistas, zines, papéis, livros, CD's piratas, algodão colorido no formato de bolinhas, escova de cabelo suja, remédios para enxaqueca, garrafas de vinho vazias, perfumes baratos, fotos marcantes-marcadas, cinzeiro entupido, aquário redondo com peixe roxo, uma televisão tediosa, um vaso com cactos, um telefone celular batido, um maço de cigarros, um par de chinelos, uma garrafa cheia de vodca com morango picado.

de Denise V.

Diário De Um Mago (Príncipe) Chamado: Ronney

Eder tatuou a sua testa em frente ao espelho e com a mesma agulha de costura tatuou a minha perna.
Mas fiquem sabendo que os católicos também vomitam.
Eu almoço três vezes ao dia, passo fome e jamais janto.
E ainda:
Ando de café e tomo bicicleta.

de Däni-El Macedüs.

Pulgões Gordos Sem Gata

para Bia.

Alma machucada pelas pessoas próximas
Seca de dentro para fora
De fora para o lado externo da mão virada
Angustiado
Com dor gargalhante
Rasgada
Quase igual um vinil derretido em tarde de calor católico irritante
De cérebros não doutrinados na arte da mentira
Perpetuada
Aos ventos
Por pelo menos uma das metades da eternidade
Nunca medida.
Tudo isso
Por culpa da menina dos olhos felinos
Que me chamou para brincar numa noite de estrelas
Faiscantes
Picantes
Sob luar iluminado por duas bolas
Sem pênis descarrilhado para fora das braguilhas negras
Do poeta de barba ruiva
Solitário
Desesperado
Abençoado pela tristeza
Em dias eternos
De cem centímetros quadrados por meio metro ao cubo
E milhares de milésimos transmutados em segundos
De durações variadas.
Menina
Moça
Mulher
Rindo gostoso do desespero do excluído
Que apenas queria ser feliz
Fazendo alguém feliz
Como se fosse vinho da alegria
Pinga da felicidade
Doce de milho torrado carregado de amor
Amor rejeitado
Rejeitado amante
Amante sem seu manjar
Para se lambuzar
Num grandioso banquete
Em honra ao sublime momento da despedida
Triunfante.

de Petter Baiestorf (12/06/04).

Poema Da Loucura

para Bia.

Ordenando o caos sem limitar em que gavetas ordenarei a ordem do caos.
Caminhando num sonho alheio e tomando-o para mim como se fosse meu.
Ruminando alto alguns ruídos abandonados por seus donos numa festança.
Examinando dentões bem escovados com uma linda lupa des-moral-izante.
Buscando uma definição para o sentimento que tomou de assalto minha mente
Inspirado pela insatisfação de pertencer aos passantes pensantes besuntados na
Atmosfera queimante de corpos poéticos atirados na re-entrada do planeta azul.
Vou ficar bebendo até cair
Vomitando um poema só meu
E mais ninguém terá nada haver
Comigo neste momento de
Revelações angustiadas
Bem pessoais.
Estou bem,
Sinceramente falando, bem mal,
Pessoalmente vociferando sobre um profundo desejo de
Aniquilar estes sentimentos de amor de modo definitivo,
Nostalgicamente pensando em viajar
Todos os segundos que me restam
Aqui na bola azul das
Diferenças sociais que nunca
Alarmaram ninguém pois que ninguém se importa com ninguém.
Corpo remendado mendigando
Ósculos, pequeninos ou longos e
Molhados, tanto faz, já
Iriam me fazer
Gozar igual
Ontem.

de Petter Baiestorf (13/06/04).

Noite De Festa

para Bia

Cerveja no copo
Com aranha dentro
Tragada de maconha !!!
Olho no olho
E estou apaixonado
Pela sombra da musa
Dos cabelos encaracolados.
Tonteira:
Não distingo se causada
Pela bebida,
Maconha
Ou amor !!!
A pergunta é:
O que o destino
Fez de errado
Que não estamos juntos?
E grito pro nada:
"Penso em ti todo dia,
Todo dia você arranca
Um pedaço de mim
Matando-me de tristeza
Aos poucos;
Aos pouquinhos
Me deito na relva
Sem vontade de lutar
Por sua atenção
Que já julgo perdida !!!"
Um poeta desiludido grita prá mim:
"Você não precisa de várias mortes,
Precisa apenas da primeira !!!"
Cerveja no copo
Com aranha dentro
Tragada de maconha,
Nunca vou precisar
Explicar mais nada
Prá ninguém ...

de Petter Baiestorf (27/07/04).

Leia:

"O Apoio Mútuo" - Em 1902 aparece o livro "O Apoio Mútuo" de Piotr Kropotkin, em que contrapõe às teses de darwinismo social de Tomás Huxley ("onde é patente a influ6encia de Rosseau" - segundo um autor anarquista como George Woodcock) que pregava que na sociedade como na natureza os mais fortes vencem os mais fracos em uma eterna luta pela sobrevivência, demonstrando através da citação de espantosa quantidade de fatos que as espécies animais, inclusive a humana, que mais prosperaram foram as que praticaram a ajuda mútua para com seus semelhantes e que os momentos de maior progresso na história da humanidade foram aqueles em que instituições (os estados, as igrejas) e classes predatórias (a aristocracia, a burguesia) estavam em baixa.

de M. Lopes (FARJ), extraído do texto "Kropotkin Revolucionário" , publicado no informativo "Libera # 120".

farj@riseup.net

Terceira Festa De Boas-Vindas Ao Meteoro Amigo Que Se Espatifará No Planeta Terra No Ano De 2019, venha participar conosco das saudações ao meteoro amigo dia 31 de Outubro de 2004 no Rancho Baiestorf (Ilha Redonda - Palmitos/S.C.). Será uma confraternização libertária anarco-coletivista comunitária sem fins lucrativos, então leve o que você vai comer, beber e apresentar (poemas, músicas experimentais, interpretações minimalistas, performances, etc...) para deleitar os novos amigos que você vai arranjar. Local para acampar, no meio do mato (sem as comodidades do mundo moderno) para nos sentirmos primatas e contarmos as estrelas, brincarmos na lama e qualquer outra coisa que der na veneta ...

Maiores informações pelo fone 49 - 647 - 0514.

Livros Indicados Pelos Urtigueiros:

"Provos - Amsterdam E O Nascimento Da Contracultura" (editora Conrad).

"Situacionismo - Teoria E Prática Da Revolução" (editora Conrad).

"Assalto À Cultura" (editora Conrad).

"Chiapas - As Comunidades Zapatistas Reescrevem A História" (editora Achiamé).

"Sobre O Anarquismo" (editora Achiamé).

"Van Gogh - O Suicidado Pela Sociedade" (editora Achiamé).

"O Direito À Preguiça" (editora Achiamé).

"A Doutrina Anarquista Ao Alcance De Todos" (editora Batalha).

"Deus E O Estado" (editora Imaginário).

"A Estrela Do Amanhã - Surrealismo E Marxismo" (editora Civilização Brasileira).

Maiores Informações De Como Colaborar Com O "Urtiga" (vamos melhorar com o tempo):

A/c de Petter Baiestorf; Cx. Postal 67; Palmitos/S.C.; CEP: 89887-000 (Brasil).

ou: A/c de Elio Copini: copini@promitos.com.br

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