Retalhos De Palavras: Devaneios Literários De Um Canibal:.

Textos: Petter Baiestorf

Uzi Uschi E O Bosque Que Nada Tinha De Encantado
O Manifesto De Um Completo Idiota
Uma História Real Do Baiestorf: Mais Uma Vez Bebi Pelo Simples Prazer De Beber
Hoje Tô Meio Bêbado E tô Na Minha
Em Açougues Que Vendem Corações Partidos
Acordei Na Bósnia E Fiquei Olhando As Páginas De Jornal Que Deslizavam No Ar
O Dia Da Confissão Espetacular (Ou Preenchendo Orifícios Humanos Com Pregos)
As Aventuras De Uzi Uschi Em Seu Tedioso Trabalho Diário
O Azul Lilás Beijou Raios Cósmicos Viscerais
A Caminhada Entre Os Vagalumes Que Sugam O Néctar Das Flores Dos Cactus Crescidos No Deserto Onde Construirei Meu Castelo De Gelo
O Viajante Cósmico
Dentro Da Tortura Íntima Sem Poder Escapar
Editorial Para "Defecando Urros"
Se Eu Fosse Um Monte De Merda, Eu Queria Sair Do Rabo De Uma Gostosa Boazuda
Chris - O Natalino
Mau Mau Snuff Gore Nu
Fumando As Nuvens
Editorial Para "Expurgando Líquidos Matinais"
A Lista
Pare Na Casa Que Fica No Topo Da Montanha
Escrevendo Cartas De Amor (Para Acabar La Tequila)
Argumento Para Um Longa-Metragem Mal Criado
Um Alien Dentro De Meu Coração
Sádico 2
O Olho Central Das Costas
Gritaria Desconstrutivista Para Hienas Surrealistas
Menor Que O Mais Pequeno
Boa Noite, Sou Ralph - O Iluminado
Maria Bernenta Contra O Anjo De Muletas
O Amante De Lady Vômito Verde Com Soda Pneu
Mojo & Javi
Editorial Para "Surreal"
Do Abismo Da Alma Humana Ao Caos
Em Cima Do Cavalo Morto Me Deito Para Meditar
Tocando Os Sinos Derretidos
Sobre Os Mistérios Das Anomalias
Especulando Potes Sujos De Merda Cristã
Ocupando O Espaço Para Ganhar Os Anéis Gores De Saturno Angel
Hão De Brotar Em Minha Carne
O Cutelo Está Sob A Cabeça Do Porco Baiano
Ao Sapo Do Canto Mofo Primeiro
O Escritor

Uzi Uschi E O Bosque Que Nada Tinha De Encantado

Bebemos duas cervejas ao mesmo tempo cada um dos três. Bug, Kei Ishii Chow e eu – o rapaz cujo nome está no título deste texto – viemos passar o dia neste bosque com a idéia fixa de criar motivos culturais. Bug veio para escrever poemas, Kei Ishii Chow veio para pintar um quadro surreal e eu ... Bem, já não me lembro mais que porra vim fazer junto e enquanto não me lembro o que iria fazer, ficarei carregando a caixa de cerveja de um lado para o outro. E ficarei bebendo um monte. E vomitarei sobre uma das telas de Kei Ishii Chow. Isso mesmo, vomitarei uma pintura abstrata que me renderá uma boa grana dado por algum otário que curte arte de vanguarda. É sempre assim, bebo um monte, faço alguma besteira e aparece um bobo metido a intelectual de universidade que acha que sou o máximo, o cara criativo, o homem que vive sua arte o tempo todo, e, acreditem nisso, acabam comprando minhas bobagens. E eu compro cerveja e faço bobagens criativas novamente e Bug fica dizendo: “Bebe mais Uzi, bebe mais!”

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O Manifesto De Um Completo Idiota

Uzi Uschi olhou nos olhos de sua ninfeta preferida e percebeu que eram castanhos. Também percebeu que seu olho esquerdo era de vidro. Percebeu ainda que estava amando-a e que nunca iria fazer uma serenata brega para ela. Tinha medo da rejeição, das gargalhadas, do balde de água fria e do olhar debochado que viria na seqüência. Uzi olhou para o saco de pães velhos que ela carregava e pensou “para comemorar minha falta de coragem, vou tatuar em minha perna algo como Jeder Für Sich Und Gott Gegen Alle para acalmar meu Zengoku Jidai mental”. E deixou sua ninfeta para trás. Mais uma vez Uzi Uschi foi o completo idiota de sempre. Não olhou para trás e não enxergou as lágrimas que vertiam dos olhos castanhos que ele tanto desejava. Uzi desapareceu no horizonte. Sua mansão agora era se afogar na cerveja enquanto sua garota se afogava em lágrimas. Um melodrama barato que quase se concretizou. Quase! A ninfeta, cujo nome Uzi não revelou, conheceu um belíssimo príncipe encantado e se casou. A ninfeta deu à luz a quatro filhos homens e engordou seu delicado corpo com as delícias de um casamento cristão bem comportado e logo esqueceu Uzi. Tudo foi maravilhosamente perfeito para ela. Seu príncipe até plantou uma árvore e escreveu um livro. E Uzi? ... Uzi continuou bebendo com seus amigos doidos. Amou mais cento e doze garotinhas de forma platônica e nunca esqueceu nenhuma delas. Uzi escreveu vários livros e não plantou nenhuma árvore. Tampouco teve herdeiros. Não havia tempo para essas futilidades sociais que Uzi desprezava com todas suas forças, ele precisava beber todas as cervejas do mundo.

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Uma História Real Do Baiestorf: Mais Uma Vez Bebi Pelo Simples Prazer De Beber

O inchaço no cérebro é porque fiquei bebendo a noite inteira e não dormi. Agora o cérebro pulsa e meus olhos revelam meu estado, que os moralistas condenam com a total certeza de que estão completamente certos. Sei lá, bebo mais uma e não discuto com eles. Eu estou errado sempre mesmo, então é aproveitar e beber mais algumas. E que a onidose torture meu fígado, eu pedi por isso. Lembro de uma conversa com o Bortolanza, onde fazíamos planos para nosso livro em parceria. Duzentas e poucas páginas, minha parte seria para causar estranheza e desconforto no leitor, já a parte dele seria melancólica, do tipo direcionada aos apaixonados, aos solitários e esses espécimes de humanos bobos largados pelo mundo. Ei, o que estou falando, eu mesmo sou um destes solitários apaixonados perdido no mundo, não posso chamar de bobo os de minha raça. Ergam uma garrafa de vinho, vamos brindar à melancolia e viva a vida. Somos ranzinzas mas apaixonados pela humanidade. E olho para o relógio preso na parede e vejo que faltam quinze minutos para as onze, bom, depois das onze o tempo passa mais rápido pro meu cérebro inchado de sono, completamente mergulhado na bebida. A parede podre gargalha do meu estado, ela parece entender o esforço que faço para me manter acordado. Meus dentes, não a gengiva, estão coçando. Acho que é o paladar retornando. Minha boca deve estar desinchando, voltando ao normal, ou algo do gênero. Pego o jornal e dou uma olhada rápida. Não há nada novo. Nunca há nada novo. Nem a pulsação no cérebro é nova. E agora me ocorreu algo: Acho que não paguei a conta no primeiro bar que estive. No segundo sem erro, meu irmão pagou. E lembro que tenho que terminar o roteiro do “O Incrível Homem Que Derreteu – Kanibaru Remake”, mas não gosto de escrever de ressaca, meu humor não é tão mordaz-sarcástico quanto poderia ser. E pego o “Os Contos de Maldoror” na mão, mas não consigo ler. Me dou conta que já é a quarta vez que estou lendo este livro clássico. Me identifico com as ironias absurdas de Ducasse. Mas isso todos que lerem meus textos vão perceber. E o sapo fleumático, outrora devorador de sonhos mal sonhados, já percebeu. Também percebo que, talvez, eu não vá fazer um novo filme. Mas percebo ainda que, se eu realmente fizer um novo filme, vou enchê-lo de mulheres gordas e aleijados físicos. E freaks (no sentido poético da palavra). E gente-pessoas horríveis que a sociedade faz questão de esquecê-las em seus armários. É, isso mesmo, vou libertar os feios e trazê-los à luz do dia. Não que os meus outros filmes só tenham pessoas lindas, muito pelo contrário, sempre valorizei os feios. Só que agora o plano é cultuá-los, prosseguir a estética do John Waters e do Jack Smith que foram abandonadas na década de setenta. Em tempo, declaro então, guerra aos belos! Não aos belos de espírito, mas sim aos belos de físico desprovidos de cérebro. Que venham as mulheres siliconizadas e seus machões anabolizados, vou enchê-los de gordura cultural e cerveja amiga dos barrigudos. São capazes de entrar nos eixos. Os feios voltarão a ser a estampa do mundo. (Se bem que hoje em dia, não posso negar isso, os belos são estampa de um mundo comandado pelos feios!). Quasídomo será, então, nosso modelo de beleza suprema. E minha dor de cabeça, após este devaneio, já parece ter desaparecido. Voltemos ao bar amigos !!!

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Hoje Tô Meio Bêbado E Tô Na Minha

Vejo embaçado tudo que se move. Aliás, vejo embaçado até o que não se move. Bebo. Aliás, não tenho motivo algum para beber. Só sei que bebo e cada vez bebo mais. Simplesmente encho meu copo e deixo o líquido escorrer, em grandes quantidades, garganta abaixo. E torno a encher meu copo. Aliás, mais garrafas para o bêbado da mesa oito. Hoje vou desmaiar por aqui mesmo !!!

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Em Açougues Que Vendem Corações Partidos

Bug, Uzi e Kei Ischii Chow estavam parados ao lado de uma porta que possuía o formato do órgão sexual feminino. Olhavam a multidão espremida lá dentro tentando descobrir se Anna estava lá dentro. Os três precisavam encontrá-la para a declaração de amor coletivo. Anna, uma linda magricela de peitos mamários enormes, era a musa de todos eles e mais um punhado de outros escritores desgraçados, videomakers malditos e surrealistas abusados. Uzi resolve andar. Iria fazer a sua declaração em alguma orgia literária. Bug, após cuspir numa velha senhora cega, entra sendo seguido de perto por Kei Ischii Chow. Os dois, com seus pés afundados nos rabos de hienas, chegam até a musa total, que então finge não enxergá-los. Bebem álcool. Bug olha para Anna e abraça-a. Conversam por telepatia enquanto anjos aleijados por doenças venéreas cantam hinos católicos. Bug recebe um tapa no rosto. Kei Ischii Chow gargalha e apanha também. Anna se retira dali carregada por porcos que vestiam apenas tanguinhas. Os dois amigos pedem uma nova dose de álcool. Retiram seus corações partidos e os espetam num fino ferro. Jogam o álcool no chão e o fogo se faz presente. Hoje os dois amigos vão jantar juntos. Estão preparando um churrasco de corações partidos. Vão devorar tudo, sem Uzi e sem Anna, a musa. Vão devorar tudo com um apetite voraz.

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Acordei na Bósnia E Fiquei Olhando As Páginas De Jornal Que Deslizavam No Ar

Minha cabeça doía muito. Acho que era a vodka que tomei ontem com Bug. O jornal continuava rodopiando no ar sem direção. Algumas páginas voltavam a cair no chão. Não lembro muita coisa da noite anterior. Lembro apenas que Bug bebia comigo no bar dos Canibais, localizado na Cidade dos Canibais, onde fazíamos uma comemoração pessoal por eu ter namorado uma garota satanista no interior de um quadro surrealista, rolando sobre a tinta mole e lambendo as feridas que haviam nas pontas dos dedos do pintor que jogava cores enebriantes em nós. Bug deve ter ficado dormindo no bar, sempre fazia isso quando tomava muita cerveja. O enigma todo é como acordei na Bósnia. E onde havia parado Kei Ischii Chow, meu outro companheiro de copo que não apareceu no bar. Ou, se apareceu, já estávamos tão bêbados que o apaguei de minha massa encefálica. Bem, não interessa agora. No momento estou escutando um violino boêmio que espalha uma melodia melancólica e pretendo achar o ser que produz essa música que combina com mais cerveja. Caminho por poucos minutos, pulando sobre os segundos e bailando com os milésimos, e avisto o homem que tocava o violino. Pasmo, vejo que o violinista era meu velho conhecido Slavo Jakovic, um louco que se embriaga (sempre que pode) com as cascas de árvores fermentadas. Bebi um pouco de seu suco etílico e pedi se ele não havia visto Bug e Kei Ischii Chow. Ele gargalhou alto e bebeu meio barril de excrementos de peixes raros das montanhas gelatinosas e me pediu se eu lembrava da Riokko. Mas é claro como os nervos esbranquiçados do morcego lunar, eu havia saído do bar dos Canibais com Riokko completamente chapada. E também me lembrei de Bug e Kei Ischii Chow saindo juntos com uma ninfeta beberona de uma beleza extraordinária. Minha mente começava a funcionar e as lembranças fluíam a cada gole de bebida de cascas de árvores fermentadas que eu jogava garganta abaixo. Riokko estava jogada entre meio aos destroços do satélite marciano mais ao oeste. Sim, caros leitores bebedores de pinga enriquecida com urânio, uma de nossas travessuras de bêbados foi roubar um satélite marciano da NASA que estava no estacionamento do bar dos Canibais. Slavko Jokovic gargalhava de minha face de asno boboca, ele percebia as mudanças faciais de meu rosto enquanto me lembrava do que realmente havia acontecido. Slavko se divertia em ver minhas reações de estranheza enquanto eu recobrava a memória, enquanto eu descobria que havia chegado até na Bósnia com um satélite marciano roubado. Riokko, ainda atordoada, se junta à nós neste momento de sublimes devaneios. Slavko Jokovic inicia uma nova melodia com seu violino. Eu e Riokko nos abraçamos. Um beijo de língua flui naturalmente. Era bom sentir o abraço de Riokko. Nos sentamos no chão e com o vento batendo em nossos rostos flutuamos com a triste música do amigo Slavko. Nosso novo meio de transporte seria a música triste e, como em sonhos inconscientes das pessoas normais, flutuaríamos anexados à música até a Cidade dos Canibais, local onde sempre é noite, local onde sempre temos algo para comemorar. A viagem musical pelo espaço tem início. Os corpos de Riokko, Slavko e Uzi Uschi são carregados pela melodia. Slavko tocava seu violino. Uzi Uschi, de mãos dadas à Riokko, deita-se sobre as notas musicais, olha sorrindo para a garota que lhe devolve um doce sorriso de cumplicidade. Uzi e Riokko. Riokko e Uzi. Percebíamos que neste momento eles dois se amavam. E os três viajantes musicais flutuavam rumo à Cidade dos Canibais. Os três viajantes começavam a ficar pequeninos rumo ao horizonte, em direção ao pôr do sol iam sumindo, sumindo, sumindo ...

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O Dia Da Confissão Espetacular (Ou Preenchendo Orifícios Humanos Com Pregos)

Três garotas olham com amor para minhas banhas
E gargalho me babando de felicidade
De Thaís, a primeira garota, furo os olhos só pra avacalhar
De Daisy, a segunda garota, arranco as orelhas só de curtição
De Jaqueline, a terceira garota, quebro todos os dentes só pra esculhambar
E entre meio às tripas de meus amigos
Nós quatro fazemos amor como ninfas aleijadas e anjos aidéticos
No glorioso paraíso bíblico das escarras amareladas.

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As Aventuras De Uzi Uschi Em Seu Tedioso Trabalho Diário

Seus olhos verdes estavam pousados sobre minha patética figura. Olhos verdes ou castanhos, não sei ao certo, sempre fui meio daltônico e dependendo da claridade dos antros onde estou, não tenho como distinguir as cores. Ela seguia meu corpo com seus pequeninos olhos puxados - mas não era uma magnífica mulher oriental. Me acompanhava com seus olhos mantendo uma expressão séria. Atrapalhado, meio bobo quando garotas bonitas me observam, deixo algumas fitas de vídeo cair no chão cor de sujeira da locadora. Por minha mente passam rapidamente vários pensamentos e o mais constante era “o que essa garota maravilhosa viu num sujeito como eu?”. Ela estava me encarando apenas para se divertir com minhas trapalhadas, só podia ser isso. Ou seria tudo parte de alguma brincadeira de Bug, aquele magrelo com olhar de peixe morto. Não, essa garota vinha sempre na locadora e era Cool demais conhecer o infeliz do Bug. Recolho as fitas que deixei cair e lhe presenteio com meu soberbo sorriso sem graça. Ela retribui, sorri para mim com ternura e não sarcasmo. Continuo meu trabalho estampando um sorriso besta cada vez mais. Num momento olho-a nos olhos, no fundo de seus olhos e percebo que ela não desvia o olhar. Por um breve momento fitamo-nos como duas almas gêmeas apaixonadas. E só. Lhe entrego as fitas que ela alugou, fico sorrindo igual uma hiena besta e ela despe-se cantarolando. No rádio de algum carro estacionado em frente à locadora tocava “Raindrops Keep Fallin’On My Head”, era a trilha sonora para mim acompanhá-la indo embora, me sentindo o idiota de sempre, pensando sobre o significado de seu olhar, do seu sorriso, de sua alegre despedida.

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O Azul Lilás Beijou Raios Cósmicos Viscerais

Minha batida de leite e mamão estava apitando no liqüidificador, entre trovoadas apocalípticas magistrais. Líquido consistente pronto para minha garganta engolir sem remorsos. Talvez essa gororoba ajude minha alma atormentada pelas dores que o uísque me causou. Talvez não, mas não estou preocupado, pois minha missão neste planeta medíocre é muito superior às dores corporais que me acompanham com o passar de anos em bares sinistros. Nem devo mais ter órgãos internos. Meu interior profundo é bem capaz de ser uma gosma gelatinosa só. Após degustar da tal batida, me levanto e caminho até próximo à janela. Acendo um cigarro e percebo que a fumaça dança para mim, rebolando suas curvas pelo ar, com movimentos eróticos e um sorriso maldoso. Do lado de fora da janela, avisto Clara, a garotinha que sugou minhas forças. Ela oferecia seu produto aos cidadãos interessados. Nesta noite ninguém parecia muito interessado nela. Clara eu conheci dois meses atrás, num programa que fiz com meus amigos num boteco especializado em necrofilia barra-pesada. Clara, para quem ainda não foi sensível ao ponto de descobrir por si só, é uma zumbi sexy por quem me apaixonei perdidamente logo após provar seu gélido beijo. Nos amamos intensamente, realizando as fantasias necrófilas reais mais pessoais à que tínhamos direito. Clara esgotou minhas forças. Mas como minha morta-viva parece ser atenciosa para com seu amor, resolveu me sustentar nos meus últimos dias de vegetal. Clara, minha zumbi sexy, está ali na rua, logo encontrará um dos muitos necrófilos deste mundo para realizar suas fantasias e poder sustentar minha passagem para o mundo dos mortos, onde pelo menos poderei ser um cafetão, fazendo algo de útil ao meu amor.

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A Caminhada Entre Os Vagalumes Que Sugam O Néctar Das Flores Dos Cactus Crescidos No Deserto Onde Construirei Meu Castelo De Gelo

Chegou enfim o dia em que percebi que precisava me libertar do passado. Deixar tudo para trás e buscar a razão de minha existência. Sem me despedir dos amigos tomei rumo ao misterioso deserto que por toda a eternidade continuará cercando a cidade dos Canibais. Após pisar sobre as areias do deserto, sinto que minhas forças dobram. Não sinto sede. Não sinto fome. Não sinto medo do desconhecido. Sinto apenas uma sensação de poder, de liberdade, brotando em minha alma. Sigo pelo deserto olhando maravilhado os vagalumes que beijam as flores dos cactus e se alimentam do néctar regurgitado por tão lindas plantas. Nunca havia visto algo do gênero. Maravilhas da natureza impensáveis para o viajante que vinha da terra dos Canibais, local onde somente os fortes é que devoram seus semelhantes para todo o sempre. E sigo caminhando durante dias. O sol sempre escaldante. O sol brilhante e solitário no centro do magnífico céu azul. Sol soberano. O deserto do sol eterno. O deserto onde não há noites. Tudo é apenas calor, mas que por algum motivo, não tortura os aventureiros que por ele procuram um novo sentido para suas vidas. Um brilho muito intenso me chama a atenção no horizonte. Como que hipnotizado, deixo que um bando de vagalumes alucinados me carregue até o brilho. Sou atirado aos pés de um velho de longas barbas brancas. O velho estava sentado sobre um trono de gelo, ao lado de seu castelo também de gelo. Seu olhar atormentado se encontrava fixo ao horizonte. O velho parecia ter perdido algo muito importante para sua existência. Estava preso aos seus pensamentos mais pessoais. Curioso, tentei despertá-lo daquele transe. Nada do que fiz chamou sua atenção. O velho já era escravo de alguma outra dimensão. Vegetava acorrentado ao Deus da desilusão. Olhei para o castelo de gelo mais uma vez. Era algo grandioso repleto de detalhes muito bem feitinhos. Um lindo castelo de gelo no meio daquele interminável deserto escaldante. Continuei minha caminhada. Após dias encontrei um novo castelo de gelo. Um novo velho de longas barbas brancas sentado em seu trono também de gelo. Outro velho com um olhar atormentado fixo ao horizonte, não podendo ser despertado de seu devaneio. E quanto mais eu seguia meu caminho pelo enorme deserto, mais castelos de gelo, mais velhos de longas barbas brancas e mais olhares distantes, fixos ao horizonte, eu encontrava. A tristeza absoluta reinava soberana sobre todas aquelas almas. Sem saber como ajudá-los a despertar do transe, continuei minha caminhada. Faziam dezenove dias que eu não bebia nada. Não comia nada. Não bebia e não urinava. Não comia e não defecava. Apenas seguia em frente, sempre com alguns vagalumes me acompanhando. No vigésimo primeiro dia avistei algo completamente diferente dos castelos de gelo. Dez quilômetros à minha frente eu enxergava uma esfera flutuando com algo não identificado em seu interior transparente. Corri em direção à esfera. Ao chegar perto tive uma doce visão. Uma esfera de gelo transparente e flutuante com uma linda mulher nua, ainda ninfeta, em seu interior. A mulher gritava algo incompreensível para mim. Parecia apavorada. Parecia querer me dizer algo muito importante. Algo que serviria para a minha felicidade futura. Mas o som de sua voz, que deveria ser linda, não conseguia escapar da esfera flutuante de gelo transparente. Aquela mulher me hipnotizava com sua beleza, com a inocência de seu olhar apavorado. Eu sentia necessidade de libertá-la, de ser o seu príncipe herói. Materializo, com o poder da minha mente, um belíssimo bastão de ferro. Iria libertá-la. Começo a golpear a esfera. A mulher grita muito. Seu pavor crescia a cada golpe que eu desprendia contra a esfera, que após vários golpes se despedaça. Largo o bastão de ferro no chão e boquiaberto assisto a mulher diluir num amontoado de areia. A musa dos meus sonhos transformada em areia, mas areia para aquele sinistro deserto interminável. O gelo quebrado transforma-se num grande castelo. Um castelo de gelo com um trono também de gelo. Sento-me desconcertado sobre o trono, com meus olhos sobre a areia que minutos atrás foi minha musa. Sol ardente. Vento demente. A areia que foi minha musa é carregada rumo ao horizonte. Estou esgotado, sem forças para me levantar. Meus olhos se fixam ao horizonte. Hipnotizado por um terrível devaneio, culpas e lamentações invadem meu cérebro. Breve terei longa barba branca.

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O Viajante Cósmico

As vezes ele sentava-se na sala escura do seu cérebro ... E ficava pensando não ser possível vencer a ignorância milenar da humanidade. Outras vezes ficava sorvendo uma cerveja enquanto olhava a juventude humana ... Notando que gastavam suas energias com futilidades das mais variáveis espécies e gêneros ... Percebendo o quanto todos se esforçavam para ser aquilo que não eram ... Sorria com os equívocos da humanidade e tentava disfarçar assim o incômodo que sentia por saber que ninguém faria algo para melhorar essa situação ... Que lhe causava profunda tristeza!

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Dentro Da Tortura Íntima Sem Poder Escapar

O temporal que habita meu cérebro faz estragos que me recuso a entender. Sou castigado por pensamentos criados em noites de insônia. Me faço de vítima. Engano meu próprio cérebro e me lamento ao amanhecer toda vez que percebo que o coração partido já não tem mais concerto. Oculto pela neblina vou até um local onde posso ficar olhando minhas amadas e assim alimentar as esperanças de sonhar com o fim de um covarde total. Descubro que sou aquele que desistiu da vida ainda em vida.

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Editorial Para Defecando Urros (Argumentos Para Curtas, Uma Série Especial Baiestorfiana): Nadando Na Realidade Brasileira Enquanto Tiver Vácuo

Lá estão os caras bebendo um montão de cerveja, conversando abobrinhas que resultarão em transgressoras pauladas visuais nos politicamente corretos, quando então teu saco escrotal grita e diz, tipo general reformado, que precisa visitar o sanitário imundo daquela bodega rebelde. A noite vai ser longa. A primeira vez que você chega ao banheiro, olha fixo para ele – o sanitário amigo – é hipnotizado, tornando-se então dependente dele por todo restante de tão abençoada bebedeira, tendo, de momentos em momentos, de voltar até a fonte de tão bela inspiração e aí, finalmente, ao término da bebedeira (substituindo sanitários amigos por canteiros de flores) sentir-se-ão aliviados!!! Sob tal aspecto, num misto entre farra e curtição, elegemos nosso senhor VHS como arma absoluta a combater tais hipócritas sanitários ... Imagens borradas! Sistemas nada convencionais! Som direto nas passagens mais importantes! ... Mas criatividade a mil, sem cair na aberração infinita das regrinhas pré-determinadas, que tornam tais monstros de película algo ultrapassado quando confrontadas com nossa fúria grandiloqüente; fúria tão capaz quanto voraz ... Inúteis são os escravos!!! Capachos de São Belo, de São Limpo, de São Puritanismo, de São Certinho, de São Produtor Boiola ... que se jogados aos pés dos barões de tão frondosa indústria nacional de lixo, clamam para serem pisoteados em rede nacional por monopólios televisivos, que oprimem suas almas ainda não livres, não os deixando fazer parte da rebelião de mais um final de século ... mas nós, os puros de sistemas e bitolas, entendemos sua submissão e pedimos implorando: “Se um dia formos iguais a vocês, por favor, que o tiro de misericórdia seja dado no descampo de tão vil destino gargalhante!!!” ... Somos então a escória que não deveria fazer parte do belo momento; o monstro de armários que não deveria ter encontrado a chave; os beberrões de tão incríveis idéias que deveriam padecer no esquecimento... não? Mas, como tudo mais é tão cruel, aqui a seu lado estamos com nossas porcarias, com nossa fúria primata, com nosso VHS podre, com nosso cinema-ralé tipo festa de aniversário mostrando o caos nacional das artes. Continuamos felizes, pelo menos há alguns idiotas para se zoar a cara. Um grande e fraterno abraço à todos aqui reunidos e ... bem, melhor acabar por aqui e deixar vocês ruminando suas pequeninas idéias em seus cerebrozinhos do tamanho de nozes moídas ...

Baiestorf’97

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Se Eu Fosse Um Monte De Merda, Eu Queria Sair Do Rabo De Uma Gostosa Boazuda

Vejo, não tão bem, mas vejo. Sinto, meio anestesiado, mas sinto. Penso, pois existo. Então, como existo, devaneio. As lésbicas da mesa à frente gargalham, mostrando seus dentes branquinhos, talvez podres apenas no fundo da boca. Devaneio, porque existo. As bundas das lésbicas me deixam de pau duro. Bundas redondinhas, bundas arrebitadinhas, bundas durinhas, bundas cheinhas entre bundas gordas, bundas oleosa, bundas magras, bundas horríveis. Mas não importa. Pra você, o que importa é que existo. O que importa é que é uma bunda redondinha, arrebitadinha ou durinha, muito bem delineada em sua forma maravilhosa, deixa meu pau (com suas gengivas tão ramelentas quanto os olhos do cão do diabo que cruza o Saara montado num dromedário beberrão) mole, quieto, frio, no seu lugar de sempre. Penso e existo, mas não posso ignorar tal realidade tão... hã... sensível! Impotente, sim, mas com estilo! Sou um merda! Sou um monte de merda que pode estar dentro da tripa grossa de uma destas lésbicas boazudas. Penso. DL é boazuda. Existo e estou em sua tripa. A lésbica mais boazuda que já tive. Isso mesmo otário, estou na tripa grossa de minha musa. DL vai me cagar. Já vejo até seu glorioso reto. Penso, então existo e posso gritar: “Vamos boazuda, me cague gostoso pelo seu cu cheiroso. Me expurgue para dentro do abismo sanitário. Deixe eu me espremer entre suas pregas. Deixe eu abrir seu cu com minha consistência amolecida. Deixe eu respingar na água e molhar suas nádegas... vamos, gostosa, me cague em jorros pelo teu cu, me deixe boiar na água da privada, entre suas nojeiras, com minhas partes rebeldes penduradas em suas hemorróidas!” É, eu penso. Eu existo. Posso me dar ao luxo de sair do rabo de qualquer gostosa. Existo! Penso e existo. As lésbicas pagam a conta (delas, é claro!). Fico sentado. Um casal de namoradinhos senta à minha frente, no calorzinho da bunda da lésbica. Se beijam. Como existo, penso: O amor é lindo!

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Chris - O Natalino

Por opção nunca mais falarei. Deixarei esta insignificante humanidade para trás, solitária, sem minha companhia. Vão sofrer, vão cair na desgraça, se refugiar no álcool. Farão os barman trabalharem dia e noite e quando a noite se tornar eterna, vão chorar a perda, vão pedir perdão. Mas aí, caros amigos que não tenho, será tarde. Nunca mais falarei. Deixarei o mundo enlouquecer, e na morosidade da enfermidade, meus lábios hão de se abrir. A humanidade, atenta, esperará minha vez, mas o único som que ecoará pelos abismos do caos, será minha gargalhada de deboche.

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Mau Mau Snuff Gore Nu

O corpo. Sempre é o corpo quem sofre com as deformações originadas pelo manuseio da faca. O sangue que se separa do corpo, lá em peças generosas, lava a alma do grande ser responsável por tal façanha. Aplausos ao corpo que cai, somente um morto pode cair tão realisticamente assim. O pó reanima meus olhos podres, acabo tomando parte de tão belíssima festa. Mau Mau está irradiante. Seu snuff realmente é uma farra pessoal impecável. Gore até a alma da puta que pariu tal cadáver insolente. Nu, observo feliz, talvez até com uma inspiração maldita para um bando de cataratas de pus e sangue, ou, para desespero do regime politicamente correto, com anseios por fazer amor com tal corpo, que um dia ainda virá a estar podrão, tão ou mais podrão que a alma cristã dos algozes. Um misto de alegria e inocência nos faz gargalhar. O pó nos deixou excitados. Ótimo, se não treparei com cadáver fresquinho que clama pelo inusitado sexo anal, então terei à minha disposição o amigável psicótico alucinado para uma boa noite de taras indescritíveis... muito bem, começarei com uma sessão de bondage, regada à podolatria!

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Fumando As Nuvens

As borboletas azuis, com as famosas bolinhas coloridas em suas asas, escaparam do lodo cheirando cola de sapateiro. O céu vermelho resolveu então me cobrir de beijos, fazendo-me escancarar os dentes cheinhos do amado bolor bucal. Meu parceiro gostou. Minha parceira também gostou, ficou inclusive com sua mente mais leve, babando merda mole de prazer. Eu, por minha vez, resolvi que para completar tal orgasmo inusitado, devia sentar-me no sanitário e defecar sangue, deixando que tal líquido vital salpicasse a água com sua cor ofensiva. Achei másculo os respingos que molhavam de leve minhas coxas. Meu sapo de estimação - um adorável espécime amorfo esverdeado - coaxava de maneira erótica, olhando-me com ternura. Isso me deixou de pau duro, se me permitem confessá-lo. Com meu jeitinho alegre pedi prá ele que me chupasse, lógico que ele não poderia babar. E não babou, diga-se de passagem. Seus vários anos de experiência em tal função permitiram que ele engolisse toda aquela porra em grandes goles. Era muito prazeiroso ejacular naquela boquinha torta enquanto sentia o sangue escorrer, ser expurgado, expelido, expulso do meu cu. Nossa... tive um novo orgasmo!

No interior do meu cérebro, as mais incríveis alucinações - provocadas pelo meu orgasmo - projetavam-se das mais variadas e coloridas formas. Mordo meus lábios de olhos fechados e engulo o suspiro que já nascera no meu imundo esôfago. Uísque com urina é minha bebida preferida, então nada mais justo do que beber em generosos goles, ainda sentado e gozando sobre meu sapinho. Bebo urina misturada ao uísque porque não altera a cor e ambos possuem a mesma consistência. E depois, é bom!!! Eu particularmente não trocaria uísque e urina por... Hã... água, só para citar um exemplo! Mas voltando às alucinações proporcionadas pelo orgasmo, encontro nestas horas meu paraíso particular, o local onde me fantasio de Deus Baco, o local onde chupo meu sapo, de pica pequena, em retribuição à dedicação com a qual ele se rebaixa diante de seu mestre, ou seja, Eu! O local onde as velhas beatas virgens de Aparecida chupam as hemorróidas, com afinco, uma da outra. O local onde os vermes heterossexuais se banham nus entre pus e gays enrustidos. O local onde me chapo com minha plantação de nuvens branquinhas, de ninfetinhas hermafroditas, de mel vaginal e lá pelas tantas me embriago de néctar fecal, colhido em favos oriundos dos ânus bem redondinhos e cheinhos de pregas enrugadinhas, cheirosinhas e alguns até rosadinhos que cresceram nas axilas das mamães que deram a luz a tal local iluminado pela mão santa do misterioso criador. Até corre um boato gostoso, que diz que o tal criador pariu este paraíso depois de realizar uma orgia com dois crioulos grandões. Quem sabe distinguir verdade da lenda? Bem, não importa, o importante é poder usufruir de tão gostoso local!

Depois do prazer, permiti-me levantar do sanitário. Como não costumo limpar a bunda, pedi à minha parceira que o fizesse com sua língua. Bem devagarinho, bem devagarinho, e finalmente bem devagarinho, pois eu sabia que ela iria adorar sentir tal prazer, tão íntimo nosso, pelo maior tempo possível. Escutei ela gozar enquanto limpava minha prega de número sete. Modéstia à parte, como sou uma pessoa boa com os semelhantes de minha espécie!!!

Na geladeira aberta (onde eu em minha infância costumava dormir sonhando com pequenos porquinhos sujos) os seres inanimados conversavam comigo. Faziam estranhas indagações sobre minha plantação de nuvens branquinhas, sobre as influências vanguardistas de Quasímodo - hã... este é o nome do meu sapo esverdeado, por ser parecido com aquele personagem criado pelo Hugo- e, principalmente, sobre quando eu pegaria minha moto lilás para voar rumo ao espaço celestial com as borboletas azuis. Todas as vezes deixei de responder, pois não interessa a ninguém o que farei amanhã!!!

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Editorial Para Expurgando Líquidos Matinais

Não posso ficar quieto. Meu grito pode não mudar porra alguma, mas gosto dele ecoando por ouvidos sensíveis. Meu grito não é muito alto, mas acorda algumas almas inquietas e faz com que muitas caras feias invadam rostinhos bonitinhos, vazios, falsos. Meu grito é escatológico porque os humanos costumam gostar. Já os vegetais continuam plantados, presos pelas raízes ao “Body Snatchers” de 56. Grito, urro, reclamo à exaustão. Não posso ficar quieto, simplesmente não posso. Sou um monstro? Se um monstro pode dizer o que quer, fazer o que quer, ir onde quer e reclamar do que quiser, então sou sim um monstro! Acho todos vocês uns coitados, mas não tenho pena de nenhum de vocês, sabem, quero mesmo é que vocês sofram, pois a desgraça alheia me faz sorrir e me sentir bem, maravilhosamente bem! Não se esqueçam da própria felicidade ...

Baiestorf’98

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A Lista

Dois metros de correntes;
Dois cadeados sem chave;
Uma mordaça;
Uma máscara de Papai Noel;
Dois litros de uísque;
Corda nylon à vontade;
Serrote Bomfio;
Um punhado de pregos enferrujados;
Câmera de vídeo (com tripé);
Facão;
Avental de açougueiro (branco por favor);
Ácido (ambos);
Pau de arara;
Cutelo;
Fios elétricos;
Navalha & Estilete;
Serra-elétrica;
Alicate para arrancar unhas;
Chave de fenda para perfurar olhos;
Tesoura para cortar uma língua;
Fogo para carbonizar carne
E uma mulher peituda!!!

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Pare Na Casa Que Fica No Topo Da Montanha

Bug estava no volante. Não sei o que fazia lá se não sabia dirigir, mas em todo caso, seguíamos em frente. Eu não devia Ter partido com Bug, pois Uzi havia me dito que eu também não sabia dirigir. Parecia uma brincadeira de mal gosto. Eu, Uzi e Bug num calhambeque 12, escutando o tema de abertura do “The Muppet Show”, sem ninguém que soubesse dirigir. Azar para o destino dos outros. Simplesmente seguíamos. Alguém, não me lembro quem, por causa do asfalto alucinógeno, disse “pare na casa que fica no topo da montanha”! Não vi casa alguma, só abismos coloridos. Mas seja como foi, paramos com o calhambeque logo após a frase ecoar por nossas mentes distorcidas. Bug e Uzi desceram do carro. Devem Ter ido olhar a casa que ficava no topo da montanha. Permaneci sentado em meu assento. Afundado! Afundadão! Com minhas nádegas coladas no coro negro do banco traseiro do calhambeque 12. Não vi mais Bug e Uzi. Os dois devem Ter sido sugados para dentro da casa que ficava no topo da montanha e se transformado em um quadro surrealista inacabado. Sim, inacabado, pois nem imagino como deveria ser um quadro surrealista acabado. Como eu iria embora dali ??? Sem respostas, vejo que o calhambeque começou a flutuar sozinho. Deve ter sido gasolina aditivada e ter criado coragem para voar sem asas. Sem destino, afundado no meu eterno banco traseiro, fiquei curtindo o pôr do sol desbotado. Dediquei aquele meu dia fabuloso à Bug e Uzi, seja qual for o quadro surrealista inacabado em que se encontram ...

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Escrevendo Cartas De Amor (Para Acabar La Tequila)

O postal caiu no chão. Vi! Mas não falei nada prá ninguém, muito menos o apanhei. Sabe como é, estou velho, com dor nas costas e já não é mais hora de arriscar. Deixei o postal lá no chão, caído, esquecido, sendo pisado por todos. Escrevo por todos. Escrevo uma nova linha da carta e bebo mais um gole de café acompanhado de três novos goles de tequila. Somente assim me inspiro para este emprego de merda, onde fico escrevendo cartas de amor de pessoas idiotas para pessoas estúpidas, que jamais faria questão de conhecer. O postal continua lá, já embarrado. Bem feito, postal. Pisoteado por uma tropa de pessoinhas babacas. Seja como for, escrevo mais algumas palavras carregadas de ternura. Tenho o dom prá isso, disse-me certa vez o chefe. Foda-se o chefe. È um filho da puta que fica com minha grana. Eu ganho as migalhas, assim como o resto destes capachos à minha volta que caminham alegres sobre o postal pisoteado, morto. Será que eles perceberiam a diferença de pisar sobre um postal ou um humano? Bem, creio que não. Gole novo de café e mais goles de tequila. Escrever cartas de amor para outras pessoas é um saco. Aliás, escrever qualquer coisa que fale de amor é um saco. Droga. Acabou la tequila. E o café está frio. Levanto-me e deixo para trás minha mesa e uma carta de amor pela metade. Grito para meu chefe que vou embora mais cedo. Não sei se ele escutou, mas mesmo assim vou embora. Antes de sair pela porta do escritório, chuto o postal com violência. Se esborracha contra a parede. Solto uma risadinha cafajeste entre os dentes. Acabei de matar um postal. Vou embora. Vou beber tequila com café. Assistir um filme e comer algo gorduroso. Quem sabe amanhã eu termine de escrever uma nova carta de amor, quem sabe não ...

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Argumento Para Um Longa-Metragem Mal Criado

Ignore.
Caspa de barba. Adrenalina.
Líquidos matinais expurgados!
Close do olho. Pupila dilatada.
Um show psycho na penumbra.
Uísque derramado entre o mijo no chão do banheiro.
Uma puta deformada traga um cigarro barato.
Reação!
Ambulância chega. Estaciona sobre o corpo desmembrado.
O sol.
Pupila dilatada.
Uma gilete cai sobre o chão do banheiro. Mistura-se ao mijo.
“Não quero viver outra vida!”
Uma boca sorri mostrando metade dos dentes brancos, metade dos dentes podres.
Sangue escorre da parede branca.
Tambores africanos cantam enfurecidos.
Mosh!
O sol.
Corpos decompostos.
Anotações.
Puta deformada joga o cigarro no chão.
“Sou eu mamãe! ... Ignore minhas mãos!”
Um par de mãos cai ao chão.
Close na boca:
“Eu também não quero viver outra vida!”
Um avião explode.
Gargalhadas.
Cantando na chuva no áudio.
Um retardado se rasteja pelo chão.
Bola bate no travessão.
“Amo minha vida!” - Vozes em coro.
Retardados batem palmas.
Pupila dilatada.
Retardado correndo feliz em direção ao sol.
Ignore.
Créditos.

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Um Alien Dentro De Meu Coração

Quatorze anos e exuberante. Acompanho-a desde os onze, quando começou a desabrochar. Acompanho-a sem chamar sua atenção. Só quero curtir o auge da beleza desta flor. Ninfetinha nua, banhando-se ao luar das luas de Marte. Seu corpo frágil, por onde lesmas cinzentas se movimentam em círculos. A melodia da canção não muda. É minimalista. É uma sequência hipnótica de tapinhas em uma casca seca de árvore. Olho-a através de meu véu incolor. Corpinho intocável, de onde retiro minha inspiração. Areia flutuando junto da música. Tamborzinhos são acrescentados ao som da casca. Pingos de chumbo na água da cachoeira escorrem pelas curvas de tão bela musa. Maldito véu. Véu incolor virtual. Os passos dela são reais, ou não. Uma retirante de suspiros envelhecidos pela desilusão, ou uma sádica flutuante que dorme em nuvens? Apenas acompanho-a sem mexer os meus profundos olhos arregalados. Apenas acompanho-a sem tocá-la. Apenas acompanho-a me masturbando de vez em quando com meu dedão enterrado no cú. Divagando sobre as formas eróticas das nuvens. Um temporal acalmaria a canção. Um temporal molharia meu coração, fazendo surgir deliciosas vibrações. Um temporal tão molhado quanto um gole de café. Café negro para fazer surtir efeito. Efeito. O efeito minimalista da melodia. Melodia eterna, já trilha sonora para o joguinho sexual infantil. Sua bonecas bem que podiam dançar para nós, sobre a neblina cegueira. Deixo seus passos ecoando sob a forma de uns albatrozes devoradores do vácuo. Difícil acompanhar, mas necessário para mim explorar a felicidade encontrada nas tristezas do coração. Soluços, cada vez mais claros, dentro das bolhas de sabão que carregam a melodia fractal dos tamborzinhos impregnados ao som expurgado da casca seca. Sublime. É, acho que este momento é sublime. Faço parar engrenagens do tempo, caro leitor perdido, e assim poderei viver para sempre dentro deste momento. Vou correr nu pelo coração da pequena musa. Vou deixar a pequena musa correr pelas nuvens de café que vagarosamente se movimentam pelos céus de meu coração e aí, quem sabe, finalmente nos daremos as mãos e flutuaremos celestialmente sobre o abismo habitado pelas bolhas de sabão que carregam a melodia tão fractal do meu desejo por eternamente amar este momento que batizei de sublime.

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Sádico 2

Dentro de ti estou ...
Gritas de prazer ou dor?
Debate-se de um lado para o outro,
Por quê? ...
Calma que já vou sair ...
Todo molhado ...
De seu sangue avermelhado.
Pois agora,
Sou um punhal feliz!

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O Olho Central Das Costas

Eu tinha um olho no centro de minhas costas. Estava triste, desolado, angustiado. Chorava dia e noite lamúrias cifradas. As lágrimas escorriam até na minha bunda. Sempre odiei este olho nas costas.

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Gritaria Desconstrutivista Para Hienas Surrealistas

Um copo sobre a mesa somente até esvair-se seu conteúdo.
Fleuma ensandecida para para corroer mendigos anti-sociais.
Gaze atada aos 46 de fêmur fumegante.
Dois críticos frustados de pé sobre uma vaquinha mimi-mosa.
Urros invisíveis flutuando pelos céus desérticos.
Correntes sangüíneas para matinês com pipoca e resfriado.
Três velhas beijando crianças rebeldes a força.
Desejos e angustias destiladas para ébrios e artistas ou ébrios artistas.
Cuspes envelhecidos atirados à êsmo.
Um, dois, três.
Um, dois, três.
Um, dois, três.
Gritaria desconstrutivista para hienas surrealistas.
Apreciadores da desgraça alheia.
Viajantes na decomposição mental da sociedade.
Sangrando pelos arredores da razão cubista.
Brigando com os bimbolistas arrogantes.
Vegetando com os medíocres analfabetos sem a pinga santa.

Decido: Vou desconstruir tudo e entregar às hienas.

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Menor Que O Mais Pequeno

Hoje não estou com vontade de escrever nem soletrar nada. Quero ficar em silêncio remoendo minha insignificância, viajando em meus pensamentos e deixar que as idéias se cruzem à êsmo. Vou deitar contra uma árvore e arrancar a casca de seu caule, mastigar o capim à minha volta e se tudo for bem, nunca mais verei ninguém da minha espécie, pois terei me tornado outra espécie e, muito mais interessante.

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Boa Noite, Sou Ralph - O Iluminado

Crânios no Celsão fazem com que eu queira cantar lindas baladas de pé, sobre uma mesa escura, com todos me olhando e, quem sabe, alguns até se apaixonando por mim. Mas fiz algo que chamou mais atenção ainda. Fitei a mesa escura e sobre ela vomitei. Fitei a parede branca e nela cuspi. Fitei meu primeiro vizinho e sobre ele joguei esperma de macaco espancado. Fitei piranhas no asfalto e para elas mandei um beijo. Todos os crânios ali presentes no Celsão me fitaram e por um instante o silêncio percorreu, pé ante pé, todos que ali estavam. Aplausos. Me tornei um sonhador cult e no papel branco continuei cuspindo.

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Maria Bernenta Contra O Anjo De Muletas

Unhas cravadas nas costas. Garanhões unidimensionais fazem amor na pocilga, seus pênis se entrelaçam e seus rostos se tornam um, apenas um, um no eterno momento do gozo. Gozo anatomicamente perfeito, fundido ao momento sublime, às gotas de suor, pai suor. Suor responsável pela atração de dois garanhões unidimensionais!

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O Amante De Lady Vômito Verde Com Soda Pneu

Se parou debaixo da janela de sua amada e começou a cantar. Sua melodia encantou à todos, menos a musa que ali na janela nunca mais se debruçou. O enamorado e seu menestrel ficaram lá por uma eternidade angustiante, até que seus filhotes brotaram e a beleza da musa murchou após o dromedário ejacular doces palavras em seu ânus amaldiçoado pela bruxa das terras bravas. Não sei quanto à este pessoalzinho, mas eu vivi feliz para sempre!

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Mojo & Javi

Somos dois vermes. Mojo é meu amigo e Javi sou eu. Não trabalhamos. Nosso lance é assistir filmes da Troma e beber cerveja Billy Beer, que é mais psycho do que as outras. Estamos com nossas barrigas enormes, mas não nos preocupamos, pois as mulheres sempre gostaram de barrigudos.

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Editorial Para Surreal

Cão Sarnento é um ser de alma negra. Veio, ou melhor, foi jogado no espaço e caiu neste planeta onde se tornou meu irmão. Na verdade ele não era para estar aqui. Marte seria sua morada. Um erro de cálculo poupou os marcianos do mal puro e absoluto que tanto eu quanto ele estamos perpetuando. Bem, sendo sincero, acho que os humanos nos merecem. Vamos ajudá-los a amadurecer mais depressa. Na dor, na angústia, na miséria, desejamos com amor que vocês sejam a raça mais infeliz do desagradável Universo Cósmico ...

I. Saíram em viagem comigo e um dos otimistas olhou nos meus olhos e disse com sua voz de sapo grelhado: “Baiestorf, você está calado!” Olhei para o desgraçado e falei: “Não é que estou calado, apenas parei de reclamar das coisas!”

II. Um caboclo é mais underground que o “asshole” de um artista underground!

III. Viagem de ego? Sim, sei o que é isso! Me sinto bem melhor após essas viagens!

IV. Meus textos não são escritos para o leitor entender, mas sim para inconscientemente despertar o inconsciente do indivíduo

V. Os meus quinze minutos de fama já tive! Agora estou mais interessado em pegar os meus quinze quilos de ouro!

VI. Os prazeres intelectuais me são o suficiente!

VII. Qualidade é coisa de cara reprimido!

VIII. Se me é negado o poder de ser amado, ninguém vai amar ninguém!”

IX. E o sensato pensou: Os prazeres intelectuais não são o suficiente! E o ateu resmungou: O vazio é a lei que domina o homem movido pela fé! E o puro de coração falou: Eu nasci para rir da humanidade! E o otimista gritou: Por favor, alguém destrua a humanidade, não servimos pra nada!

X. Me perguntam constantemente porque sou o que sou? Sou o que sou para que todos os meus átomos se espalhem aos quatro cantos do espaço infinito para infectar à todos com a ganância, intolerância e todo o resto da miséria mental que eu puder descarregar no límpido azul!

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Do Abismo Da Alma Humana Ao Caos

Voltei ao lar da insignificância para realizar um estudo de minhas entranhas. Um espelho sujo era o confidente de meu ego. Voltei a analisar até mesmo as cores de minhas fezes enroladas no tal licor de extrato das margaridas. Descobertas encobertas pelo meu espanto embrionário, eternamente diário, que me deixava embasbacado com minha própria existência, ou seja, no estudo de minhas entranhas mais enigmáticas, o inesperado já esperado: Eu não existia !!! Eu nunca havia encontrado meu passado, muito menos meu futuro porque eles não existiam. Simplesmente não tive passado, nem futuro. O presente parecia ser um atípico acidente. Sentei-me no chão sujo de merda de ratos da Patagônia. Se eu não possuía passado e nem futuro, como poderia ter minhas lembranças? Isso era outra icógnita. Dizem que todos, todos sem excessões possuem pelo menos o futuro nas mãos, mas em meus estudos já vi que meu futuro sequer existe. Então nada mais justo do que eu me acabar em silêncio, quieto em algum canto desta minha estufa, em insignificância total. Mas assim planejo morrer, outra descoberta me intriga: Eu sou imortal !!!

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Em Cima Do Cavalo Morto Me Deito Para Meditar

O melhor de tudo, em alguém como eu, é ter o poder supremo de me contradizer à vontade !!!

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Tocando Os Sinos Derretidos

I. Não há mais nada para escrever. Não há mais nada para cantar.
Não há mais nada para amar. Não há mais nada para criar.
Não há mais nada do que reclamar. Não há mais nada para odiar.
Não há mais nada para se fazer. Não há mais nada para se orgulhar.
Não há mais Deus para te torturar.

II. Tenho um amigo, Cesar Souza, que durante o último ano bebeu vinho durante 144 dias. Podemos dizer que o sujeito anda comprando sua felicidade em litros.

III. Me perguntam constantemente porque sou o que sou. Sou o que sou para que todos os meus átomos se espalhem aos vários cantos do espaço-infinito para que infectar a todos com a ganância, a intolerância e todo o resto da miséria mental que eu puder descarregar no límpido ar azul.

IV. Certa vez fui jogado de uma espaçonave para fincar minhas raízes num planeta miserável que, segundo uma lenda cósmica, iria me acolher como profeta-mor. Pois bem, aqui nesta terra das oportunidades me tornei o mais forte entre os fortes, ceguei boa parte da humanidade que agora reza por minha magnífica alma e assassina seus semelhantes se assim eu quiser. Hoje, neste raro momento de bom humor, ofereço-lhes a última verdade antes de devorá-los por completo: Não sou o profeta-mor, sou sim parte do fungo interláctico que transforma o universo numa imensa torta de escuridão e dor!

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Sobre Os Mistérios Das Anomalias

I. Não entendo o riso da humanidade comum: Nunca sei se estão gargalhando de sua ignorância ou de sua insignificância!

II. Uma dica: Nunca contem para mim suas idéias artísticas “revolucionárias”, pois se eu não gostar vou te achar o cara mais chato da sleazefest. Já se eu gostar vou filmar antes que você se dê conta de que a idéia era realmente boa!

III. Sempre me perguntam porque só ando de preto. Aí eu me pergunto: Por que essas pessoas que só usam roupas coloridas sempre me perguntam isso?

IV. A lua expurgou-me sobre a terra das lendas sanguinárias. Caindo no vácuo criei a força. Me esborrachando no chão concebi a riqueza. Levantando-me resolvi ser a religião dos religiosos.

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Especulando Potes Sujos De Merda Cristã

Um Cristo caminha pela estrada feita de pequenos sonhos amarelos misturados aos bracinhos Judeus. Encontra outro Cristo e de mãos dadas partem em busca do Cristo que tudo sabe. Nossos Cristos precisam saber o peso exato do pecado. Procuram a balança do cristianismo que acreditam estar com o Cristo que tudo sabe. Vão pesar os pecados da cristandade. Acreditam também que ficarão ricos se, finalmente, ambos souberem gritar certinho o peso dos pecados dos outros Cristos espalhados pelo mundão. Vão, talvez, fazer um ótimo negócio!

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Ocupando O Espaço Para Ganhar Os Anéis Gores De Saturno Angel

Sangue, muito sangue transborda da cafeteira. Alguém ali naquele cubículo não estava jogando a partida direito. Judith Vittet certamente não era, pois havia se tornado carne de São Cipriano. Saturno Angel também não, estava treinando guitarra no túmulo de Toniblerghhh. Grande Peyote? Não, ele também não era disso. Quem poderia ser? C.B. Rot? Não, ele é camarada. Desconfio mais de Cristo do que dele. Puxo um livro para ler. Iria pegar o desgraçado de surpresa. A cafeteira transbordou novamente. Seria o homem invisível ou o cão dromedário enrabado por Mau Mau Snuff Gore Nu? Hienas caídas que se cuidem. Brotou em mim a fúria de Sade. Procurei Sardu e ele me contou o que aconteceu naquele covil de depravados. Minha alma atormentada é que havia materializado sangue na cafeteira. Porra !!! Bati em mim mesmo. Nunca mais me atrevi a materializar sangue naquele local sagrado. Comecei a materializar enxofre. Criei então meu próprio Império!

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Hão De Brotar Em Minha Carne

O escuro traz diversos amigos, como baratas perdidas por entre minhas entranhas;
Vírus das mais variadas formas a nadar em meu podre sangue;
Fungos umbelíferos em escarras diversas;
Bactérias devoradoras do tecido mole;
Vermes acéfalos que teimam em habitar meu cérebro;
Lombrigas que lutam por um naco de meu estômago;
Moscas verdes que sugam minha sanidade;
E grandes bernes que hão de brotar em minha putrefacta carne!

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O Cutelo Está Sob A Cabeça Do Porco Baiano

Berimbau grita com a praia fazendo as mulatas com menos de quinze pular entre meio ao lôdo-mar enrudecido. As mulatinhas gargalham com seus dentinhos brancos. Raios de verão fazem a festa entre meio aos corpos esculturais das ninfetas. Minhas mulatinhas intocáveis. Sou o negão do berimbau que possui várias mulatinhas. Não bebo e não fumo. Meu vício é o fruto neural que se forma no lado esquerdo-superior dos cérebros dos porcos que pai véio cria na pocilga do amor coprófago. Sugo a proteína mais escondida (e ainda desconhecida) que ganha forma dentro de cérebros suínos. Chapado, em transe, faço meu berimbau falar. Seu discurso faz com que todos se calem, menos minhas mulatinhas, tão adoradas e queridas por todos ali no círculo ...

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Ao Sapo Do Canto Mofo Primeiro

Talvez, se a plebe miserável permitir-me, eu vá contigo, ó sapo amigo, ao paraíso das escarras amareladas que cobrem carcaças humanas decompostas em vida, com moscas verdes em cima à sugar o delicioso vurmo amanteigado que pinga sobre os cogumelos crescidos aos pés da decadente sociedade sem títulos e tal. Ébrios, como de praxe, em cortejo à um divino ser. Ali paralíticos plebéticos removem-se com enorme esforço, permitindo que os pequenos vermes impregnados a seus cadáveres ambulantes despenquem gargalhando sobre as pusilânimes baratas em túmido onóculo bolor de amebas amorfas, em abiótica gênese fantástica. Pergunto-me, devido a insistências de origem desconhecida, o que levaria tais seres empodrecidos, dotados de preceito, a amar o nada que, inexplicavelmente, infecta mentes e procriam opocéfalos em antros viscosos, enfeitados até com vísceras repletas de flatos na sua intrínseca cavidade interior, interior este um tanto castigado por bocas coprófagas. Hã! ... Certas coisinhas não são entendidas nem mesmo pelo mais genial dos seres vivos, aquele que contrariado, ironicamente, padeceu empalado à minha frente, se debatendo compulsivamente. Até poderia eu, um simples mortal insignificante, ter salvado-o. Mas como já lhe disse, certas coisas nem mesmo o mais genial dos seres vivos consegue compreender!

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O Escritor

Escrevendo;
Bebendo;
Criando;
Chapando ...
Minhas úlceras se perdem no horizonte!

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