PETTER BAIESTORF nasceu dia 13 de novembro de 1974 (mesmo dia da morte de Vittorio de Sica). Cresceu na Vila de Oldenburgo (cidade de Palmitos/S.C.) entre-meio à agricultores, pescadores, operários da indústria madeireira e de cerâmica. Autodidata, ateu, anarquista, livre pensador e dono de uma personalidade difícil, se tornou poeta adolescente em 1988, publicando seus poemas bizarros e anti-religiosos em fanzines. Em 1992 começou a editar seus próprios fanzines, com títulos como "Arghhh" (1992), "Necrofilia" (1992), "Clássicos Canibal" (1994), "Pus Diet" (1994), "Brazilian Trash Cinema" (2000), "O Viajante Cósmico" (2003) e "Bebuns Bêbados Que Escrevem" (2003). Fundou em 1991, com o amigo E. B. Toniolli, a "Canibal Produções" que, em 1996, virou "Canibal-Mabuse Produções" ao se associar com Cesar Souza e, em 2000, se transformou na atual "Canibal Filmes". Fundou em 1997, com Carli Bortolanza, a "Caos Filmes" para realização de seus filmes mais pessoais. Idealizou em 2001, junto de Cesar Souza e Elio Copini, a "N.A.V.E. (Núcleo Associado de Vídeo Experimental de Palmitos)". Também é escritor surrealista, autor dos livretos "Defecando Urros" (1997), "Expurgando Líquidos Matinais" (1998), "Surreal" (2000) e "Um Treponema Pallidum Mutante Atrapalhando a Vida Amorosa de Um Xanthorrhoea Australis Apaixonado" (2002), tendo ainda, durante o ano de 2000, ajudado financeira e criativamente na edição do jornal poético "Salvador Daqui", editado por Elio Copini e Éder Meneghini. Já tocou nas bandas "Cadaverous Cloacous Regurgitous" (1993 - gore noise) e "Smelling Little Girl's Pussy" (1999 - industrial harsh). Como videasta já participou de mais de 104 produções independentes nas mais variadas funções técnicas (diretor, roteirista, produtor, diretor de fotografia, editor, seleção musical, efeitos especiais, ator, consultor técnico, assistente de direção e produção, distribuidor, etc ...), nos mais variados suportes (VHS, S-VHS, Super Oito, Digital, 16 MM, 35 MM) e formatos (clips, curtas, médias, longas, etc...). Em 2002 escreveu o "Manifesto Canibal" e, junto de Cesar Souza, organizou os alicerces do KANIBARU SINEMA.

O GURU DO GORE NACIONAL: Petter Baiestorf, em 1992, começou a editar o fanzine "Arghhh" (e logo em seguida outro título chamado "Necrofília") porque não encontrava o que procurava nas revistas lançadas no Brasil. Também começou a colecionar filmes em vídeo e a sondar com seus amigos a possibilidade de realizar um filme. E.B.Toniolli (colega de colégio e colaborador do zine) se interessou e assim a dupla montou a “Canibal Produções Literárias”, inicialmente com a proposta de editar livros (nunca posto em prática pois se limitaram a editar fanzines). Depois de conhecerem um garoto que possuía uma câmera VHS, escreveram e produziram o inacabado "Lixo Cerebral Vindo de Outro Espaço", uma tranqueira sobre zumbis comedores de criancinhas e jovens que fogem de casa. Como o garoto da filmadora não voltou mais ao local das filmagens, resolvem arquivar as cenas já gravadas para o futuro (embora continuem inéditas até hoje). Mas esse primeiro contato serviu para eles se estruturarem e já no ano seguinte fazem o longa "Criaturas Hediondas", uma produção chinelona, extremamente trash mas bastante cômica e com muito sangue. A produção de estréia causa curiosidade entre os fanzineiros que o elegem um cult do gênero, incentivando a dupla a fazer logo em seguida a segunda (e última) parte da série, criando com este filme um novo veículo independente de expressão cultural no Brasil: os filmes VHS vagabundos, sem orçamento, sarcásticos e mal editados.

Pensando em realizar algo mais bem acabado, Baiestorf escreve o escatológico e debochado "O Monstro Legume do Espaço", mas antes de filmá-lo vai até São Paulo participar do Festival "HorrorCon", onde conhece Cesar Souza (da Mabuse Produções), que se tornaria seu sócio. Antes da fusão das duas produtoras pobretonas, Baiestorf filma em apenas quatro dias o longa "O Monstro Legume do Espaço" (já com a participação de Cesar “Coffin” Souza no elenco) que depois de pronto vende quase 500 cópias (com uma distribuição totalmente independente) em apenas seis meses de divulgação. Lógico que o fenômeno das vendas é facilmente explicável: Filmes trash estavam na moda em 1995, com toda classe média brasileira achando "bonito" ter um filme vagabundo de estimação em casa. E este filme de Baiestorf estava no local certo, na hora certa, o que o elevou à condição de cult do trash/gore nacional, tornando o nome de Baiestorf conhecido dentro e fora do circuito underground.

Com grana no bolso, sócio novo e todo o pessoal empolgado, Baiestorf roda em 1996 quatro longas ("Eles Comem Sua Carne", "Caquinha Superstar A Go-Go", "Blerghhh" e "Bondage"), lança a trilha sonora do filme "Caquinha Superstar A Go-Go" (composta pela banda paulista Trap) em CD, em parceria com a Stropharia Discos e Abrigo Nuclear Records e um punhado de curtas experimentais, todos fracassados financeiramente.

Com base nos negócios mal feitos e querendo radicalizar cada vez mais na sua arte, Baiestorf e Souza começam a elaborar a "Fase 98", onde a Canibal-Mabuse somente iria produzir filmes transgressores/ousados, onde não respeitariam nenhuma convenção social ou crença. A ordem era chocar! Desta fase destacam-se os longas "Gore Gore Gays" e "Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos" e os curtas "Boi Bom" e "Deus (O Matador de Sementinhas)". Como resultado a produtora sofreu censura em todas as mostras da época, passando a sobreviver da fama de seus filmes mais aclamados como "O Monstro Legume do Espaço" e "Eles Comem Sua Carne".

Dando um tempo nos projetos mais ousados, Baiestorf e o maquiador gore Carli Bortolanza (junto de José Salles, Jorge Timm e E.B.Toniolli) começam uma viagem de carro por todo o sul do Brasil, filmando o road movie "Super Chacrinha e seu amigo Ultra-shit em crise vs. Deus e o Diabo na Terra de Glauber Rocha (ou: Ainda bem que Jimi Hendrix Morreu)", onde Baiestorf mistura o estilo Glauber de filmar com Rogério Sganzerla, realizando pela produtora “Caos Filmes” uma homenagem ao Cinema Marginal Brasileiro. Esse longa nunca foi lançado, apenas exibido em mostras fechadas para convidados, onde as reações foram da paixão ao asco pela produção. Normal, quando se trata de uma produção orquestrada por Baiestorf, filmada em quatro meses de viagens e com um roteiro não linear escrito durante as filmagens. Depois desta última loucura e com o dólar disparando no início de 1999, Baiestorf e Souza resolvem se separar. Cada um iria seguir seu próprio caminho e realizar os filmes que quisesse. Como último suspiro da “Canibal-Mabuse Produções”, Baiestorf escreve um filme de horror gore sobre zumbis, batizado de "Zombio", rodado em apenas cinco dias com um orçamento irrisório. Horror com humor negro e muito gore, como os velhos fãs da produtora sempre gostaram, transformando-o num dos filmes mais lucrativos de Baiestorf.

Em 2000 é lançada a coletânea de curtas "Festival Psicotrônico Vol. 1", sendo treze curtas produzidos entre 1995 e 1998, misturando surrealismo, experimentalismo, transgressão e gore. Os destaques da fita ficam para os polêmicos "Boi Bom" e "Deus (O Matador de Sementinhas)". O próximo projeto foi "Raiva", um gore movie que zoa com a temática de filmes policiais. Destaque para a edição bem cuidada, enredo bem amarrado e com bastante humor negro. Cada personagem é uma figura à parte: E.B. Toniolli (um dos vilões) morre de uma forma nada convencional, com as tripas pra fora ao som de um blues!!! Coffin Souza (um dos raivosos) aparece numa cena de auto-canibalismo explícito, e assim vai! Após o sucesso de "Raiva", Baiestorf volta a fazer curtas experimentais e loucos. Com isso, mais uma coletânea é lançada: "Minimalismo Surreal Vol. 1" onde cada curta pode ser adorado ou não, pois são de temáticas extremamente pessoais e não levam em consideração o gosto alheio. Mas se não fosse assim, não seria um filme de Baiestorf.

Chega o ano de 2003 e finalmente é lançado o sucessor de "Raiva". O mais novo filho de Baiestorf atende pelo singelo nome de "Cerveja Atômica", uma aguardada mistura de Troma Films c/ Monty Phyton, não precisa dizer mais nada. E quase que simultâneo ao lançamento deste longa, Petter Baiestorf começa a editar a série “Vida Canibal”, que chega para comemorar os 10/12 anos de loucuras da Canibal Filmes. Nesta série composta por 5 volumes são mostradas cenas do cotidiano dos atores da Canibal, making ofs, erros de gravações, festas, cenas inéditas de filmes conhecidos e inéditos e muitas outras coisas ... um deleite para os fãs !!!

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