"Zombio" - Nova Loucura De Petter Baiestorf: Cineasta Catarinense Lança Média-Metragem E Prepara Produção "Milionária" !!!

Por: Rubens Herbst

Um casal a fim de diversão chega a uma ilha paradisíaca e logo descobre que o lugar não é tão deserto quanto imaginavam. Hordas de mortos-vivos sedentos de sangue, liderados por uma bela sacerdotisa, parte para cima dos namorados, que empreendem uma fuga desesperada mata adentro. É "Uma Noite Alucinante 4", novo filme de Sam Raimi? Não, trata-se de "Zombio", média-metragem dirigido por Petter Baiestorf, cineasta catarinense que se tornou o rei dos filmes de terror "Z" do Brasil. A produção - trash até o osso - é uma brincadeira maquiavélica que antecede projetos que prometem uma virada na sanguinolenta carreira do diretor.

"Zombio" tem 45 minutos de muito sangue e tripas falsos, maquiagem risível e atuações canastronas. Ou seja, tudo o que os fãs deste tipo de cinema caseiro, filmado com câmera Super VHS e condições precárias, adoram. Mas desta vez Baiestorf levou o amadorismo a níveis extremos, ao reutilizar maquiagens, figurinos e materiais de arquivo de outros filmes em seu novo trabalho. Levou seus habituais colaboradores para uma ilha no rio Uruguai, fez com que trabalhassem até 20 horas por dia à base de refrigerante e sanduíche e colocou a fita para rodar. Para quem conhece "clássicos" como "Criaturas Hediondas" e "O Monstro Legume do Espaço", o resultado é previsível, mas o orçamento extrapola qualquer imaginação barateira: meros R$ 250,00!

Por incrível que pareça, "Zombio" é o filme de Petter que tem o maior número de efeitos e trabalho de maquiagem. Porém, a reciclagem de material possibilitou diminuir em quase 50% o orçamento da fita, que marca o fim da parceria entre a Canibal (produtora de Baiestorf) e a Mabuse Produções. Isso porque, segundo o diretor, a maior parte dos custos de seus filmes se deve à maquiagem. "Eles são um bom veículo para um maquiador iniciante", garante.

Apesar dos parcos recursos, Baiestorf gostou do resultando, salientando que a menor duração deixou "Zombio" mais compacto e com uma narrativa mais dinâmica em relação aos filmes anteriores, mais longos e arrastados. Exibições em Curitiba, Porto Alegre e Goiânia tiveram boa aceitação por parte dos fãs. "Atingiu uma fatia do público que achava meio cansativo um filme com uma hora e pouco", explica. O dinheiro investido, claro, já foi recuperado. Mas além das tradicionais vendas de fitas pelo correio, Petter pretende montar um esquema de comercialização para exibições particulares (mostras, festivais) e "rachar a grana", "É um meio de fazer o filme rodar e se pagar".

Enquanto "Zombio" começa a fazer carreira no underground brasileiro, o mais famoso cidadão de Palmitos, no extremo-oeste catarinense, já pensa na próxima insanidade. Que tem grife: "O Monstro Legume do Espaço" (1995), cult movie total nos subterrâneos nacionais, com mais de mil cópias vendidas. A segunda parte está sendo escrita por Baiestorf, que deve começar a rodar em meados do ano que vem e vai contar, além de sua equipe, com atores de teatro e (possivelmente) o diretor Ivan Cardoso, velho ícone dos filmes B brasileiros.

Mas o que mais chama a atenção na nova empreitada é o orçamento "milionário" que o diretor terá em mãos - R$ 10 mil, uma fortuna se comparado às produções anteriores. O dinheiro sairá do bolso de José Salles, escritor e cineasta paulista. Com quem Petter trabalhou em "Blerghhh". A união de forças garantirá condições técnicas mais favoráveis, inclusive algumas "excêntricidades", como cenários feitos em estúdio, maquiagens mais elaboradas e efeitos de computador. "Vai ter até carros explodindo", revela Baiestorf. "Vou poder ajeitar muitas coisas do original, que rodei com mil reais", diz, ressaltando que o estilo continuará gore ao extremo.

Além de explicar a origem do personagem-título, o diretor pretende lançar o filme fora do País. "Há interesse de revistas especializadas em conhecer o que se faz em termos de terror anos 90 no Brasil", informa. Antes de "O Monstro Legume do Espaço 2", Petter tem planos de rodar a adaptação de "Contos de Maldoror", publicado em 1868 pelo Conde de Lautréamont, um dos precursores do surrealismo. Nesse caso, porém, o obstáculo é a costumeira escassez financeira, mais terrível que qualquer demônio, extraterrestre ou zumbi esfomeado.

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