Sinema
Transgressor Em Debate:
17 de Novembro de 2003, Segunda-feira,
17 horas, Sala 1C110, Centro de Ciências Humanas C 1; UNISINOS/São Leopoldo/RS;
ORGANIZAÇÃO: DES - Debates e Estudos Sociais / APOIO INDISPENSÁVEL: Diretório
Acadêmico de Filosofia & Diretório Acadêmico de Ciências Sociais.
Segue abaixo entrevista com
o catarinense Petter Baiestorf, polêmico cineasta independente, o qual estará
no mês de novembro na Unisinos, em um evento que quer discutir o cinema transgressor,
mostrar alguns vídeos e ouvir quem vive a arte mais cara de forma underground
e quase sem grana alguma. Não é por nada que Baiestorf anda o Brasil inteiro
dando palestras na linha de: "Como fazer seus próprios filmes sem grana". O
espírito 'faça você mesmo' levado ao extremo. O punk está presente no cinema.
Dia 17 de novembro (2003) Petter estará ao lado de seu colega Cesar Souza palestrando
sobre cinema transgressor.
01 - Petter, em 1º lugar acho que seria interessante que tu fizesse uma breve
apresentação tua e de teus filmes:
Baiestorf: Tenho 29 anos, ateu, anarquista, surrealista experimental e videomaker,
zineiro e escritor nas horas vagas. Um realizador inquieto que acha necessário
que as artes , no Brasil e no mundo, contenham um fundo social-político para
despertar as massas de seu estado vegetativo. Um cara que luta pela morte da
burguesia e de suas instituições religiosas, políticas e militares. Meus filmes
são o meio que encontrei para divulgar minhas idéias e criticar as leis criadas
pela burguesia para oprimir o povo!!!
02 - Fale-nos um pouco sobre o cinema underground nacional, o que tem surgido
de interessante?
Baiestorf: O cinema underground brasileiro produzido com grana independente
(ou seja, sem grana do Estado) está se fortalecendo. A "Canibal Filmes", por
quase 10 anos, caminha meio solitária até que, a partir do ano 2000, surgiram
novos realizadores que estão fazendo bons filmes, como Fernando Rick (Feto Morto);
José Salles (Credum Creditum); André Pagnossim (Sozinho); Anderson Dino (Experimentalismo)
ou Gurcius Gewdner (Nosferatum). O "Manifesto Canibal" tem sido a inspiração
para o surgimento de vários novos realizadores. Em breve teremos vários novos
realizadores de filmes furiosos !!!
03 - Quais os filmes que para ti são realmente importantes e que te influenciam
na hora de produzir?
Baiestorf: Gosto de realizadores como Koiji Wakamatsu (Yuke, Yuke, Nidome No
Shojo); Alexandro Jodorowsky (The Holy Mountain); Fernando Arrabal (Viva La
Muerte); Miike Takashi (Bizita Q); Kazuyoshi Kumakiri (Kichiku); Dusan Makavejev
(Sweet Movie); John Waters (Pink Flamingos); Christoph Shlingenstef (United
Trash: O messias da destruição); Jean Cocteau (Le Sang D'um Poete); Jack Smith
(Flaming Creatures), entre vários outros autores !!! Também sou influenciado
por escritores como Nietzsche, Bakunin, Kropotkin, Conde de Lautreámont, André
Breton, Schopenhauer, Durkhelm e outros pensadores !!! Ou pintores como Salvador
Dali ou Bosch !!! Gosto de artistas que tenham algo a dizer !!!
04 - Canibal Produções !!! Nos conte um pouco de sua história,
bem como sobre o que pretende lançar:
Baiestorf: Formei, com amigos, a Canibal Filmes em 1992 para produzir filmes
gore com críticas sociais. Aí, lá por 1997, comecei a experimentar misturando
gore com surrealismo, sempre com orçamentos inexistentes e com a colaboração
de amigos que possuem uma visão de mundo próxima da minha! Em 1998 transgredi
a narrativa linear com filmes extremos como "Sacanagens Bestiais dos Arcanjos
Fálicos", onde consegui o perfeito equilíbrio entre críticas sociais, gore e
surrealismo anti-religiões, mas como o filme nunca foi compreendido, resolvi
ser menos radical e parti para a realização de filmes como "Raiva", que trazem
uma história/roteiro mais acessível com mensagens subliminares. Meu próximo
projeto é um longa intitulado "Caóticos", sobre o governo e seus acordos com
grandes empresas multinacionais.
05 - Para terminar, fale o que uma pessoa que nunca viu um filme teu pode esperar
neste evento:
Baiestorf: Venham conhecer alguns vídeos que, com certeza, vocês não vão encontar
nas locadoras, que abordam assuntos diversos sempre com o intuito de provocar
discussões saudáveis. São produções tôscas que vocês até podem não gostar, mas
que, com certeza, não lhes deixarão indiferentes !!! É o cinema underground
na sua forma mais primitiva e alucinada !!! Ofender as crenças burguêsas é fazer
os ofendidos pensarem !!!
Exibição
dos filmes:
01 - "Primitivismo Kanibaru Na Lama Da Tecnologia Catódica"
(2003/12') de Petter Baiestorf: Anti-herói da tecnologia em sua eterna luta
contra o primata maravilha. Seleção oficial da mostra "Cine Esquema Novo" (Porto
Alegre, 2003). Com: Elio Copini e Coffin Souza.
02 - "Ácido" (1997/3') de Petter Baiestorf: Estudo lisérgico
das cores e seus efeitos num cérebro viciado em LSD. Animação experimental.
03 - "Demências Do Putrefacto" (2002/15') de Petter Baiestorf:
O Senhor é meu pastor e nada me faltará. Cristus Perfeitus em busca de pe$$oa$
com fé e de uma boa Maria Madalena. Com: Ivan Phol, Elio Copini, Everson Schütz
e Coffin Souza.
04 - "Fragmentos De Uma Vida" (2002/7') de Petter Baiestorf:
Machistas do século XXI dão mostras de sua inteligência indescritível. Seleção
oficial da mostra "Cine Esquema Novo" (Porto Alegre, 2003). Com: Loures Jahnke,
Juliana e PC.
05 - "31 De Março Para Todos Os Santos De 64" (2003/7')
de Petter Baiestorf: Cenas resgatadas onde vemos agentes da CIA a paisana, dando
sumiço em porcos comunistas. Com: C.B. Rot e Cláudio B.
06 - "Deus - O Matador De Sementinhas" (1997/3') de Petter
Baiestorf e Carli Bortolanza: Um ateu mostra a força de sua religiosidade. Exibido
sob protestos no festival "Made In China" (Porto Alegre, 1998) e aclamado como
genial nas mostras "Supertrash" (Curitiba, 1997) e "10 anos sem GG Allin" (Florianópolis,
2003). Com: C.B. Rot.
07 - "Boi Bom" (1998/12') de Petter Baiestorf: O homem revela
sua crueza ao demonstrar, com requintes de crueldade, que é o pior e mais sanguinário
dos animais. Causou polêmica nas mostras "Videodrome" (Sorocaba, 1999), "Primeira
Mostra Trash de Goiânia" (Goiânia, 1999) e "10 anos sem GG Allin" (Florianópolis,
2003). Com: Jorge Timm e C.B. Rot.
08 - "Kosmiczna" (2001/5') de Cesar Souza: A eterna busca do
homem pelo "Quem sou eu? O que sou eu? Qual o sentido de minha vida?". Animação
experimental. Distribuição da Canibal Filmes.
09 - "Sabe?" (2001/4') de Cesar Souza: O que você sabe? O que
você quer? Animação experimental. Distribuição da Canibal Filmes.
10 - "Ciclotímico" (2003/5') de Anderson Dino: "Em um
mundo em que todos os dias as pessoas comem vagina cozida na salsa verde ou
sexo de recém-nascido, flagelado e enfurecido arrancado assim como sai do sexo
materno", diria Antonin Artaud para seu amigo, também suicidado pela sociedade,
Van Gogh. Experimentalismo. Distribuição Canibal Filmes.
E durante a palestra
exibição sem áudio:
11 - Trailer "Quadrantes" (2003/Cesar Souza)
12 - Trailer "Rubão - O Canibal" (2002/Fernando Rick)
13 - Trailer "Feto Morto" (2003/Fernando Rick)
14 - "Filme Caseiro Número Um" (2001/Petter Baiestorf)
15 - "Chapado" (1997/Petter Baiestorf)
Rolou ontem o evento "Sinema Transgressor Em Debate". Segue abaixo a material que saiu na contra-capa do jornal VS. Agradeço a todos que compareceram no evento e a todos os amigos que deram uma força na divulgação. Possivelmente ano que vem teremos o "Sinema Transgressor Em Debate - Parte II", e esse devera rolar com uma programação mais extensa de 2 ou 3 dias. Até mais.
Canibais Declaram Guerra À Hollywood:
A turma do cinema independente da catarinense Canibal Filmes participou, na tarde de ontem, do Debates e Estudos Sociais (DES), organizado pelos diretórios acadêmicos de Filosofia e Ciências Sociais, da Unisinos. O encontro, com direito à presença dos cineastas Petter Baiestorf e Cezar Souza, reuniu estudantes interessados em conhecer um pouco da sétima arte transgressora, onde Hollywood não existe e dinheiro para produção é coisa raríssima. Foi uma sessão da tarde para lembrar um pouco de Ed Wood, considerado o pior cineasta do mundo. Wood, de tão ruim, virou cult. A Canibal, que aproveita a estética do mestre Wood, mostrou no DES parte do repertório trash dirigido por Baiestorf, que criou, além dos filmes, um Manifesto Canibal. O documento, segundo o diretor, é uma "declaração de guerra dos que nada tem e tudo fazem contra os que tudo têm e nada fazem". Segundo Daniel Mittmann, que estuda Filosofia e organizou o encontro de ontem, a idéia é mostrar um cinema com uma maior vinculação social, feito com idéias e não apenas para ganhar dinheiro. "A intenção é mostrar o alternativo, valorizando as boas idéias de um cinema que está totalmente fora do circuito, mas trabalhando num tipo de arte cara de uma forma mais independente. E tudo quase sem grana alguma. Não é por nada que Baiestorf anda o Brasil inteiro dando palestras na linha 'como fazer seus próprios filmes sem grana' ", disse Mittmann, explicando que Baiestorf leva o Faça Você Mesmo ao extremo. E a prática de fazer cinema no limite tem funcionado. A Canibal tem um década de projeções na bagagem. Os filmes da produtora independente abordam assuntos diversos, sempre no intuito de provocar discussões, segundo Baiestorf, saudáveis. "São produções toscas que as pessoas até podem não gostar, mas que, com certeza, não passarão indiferentes por elas. É o cinema underground na sua forma mais primitiva e alucinada", afirmou o cineasta. Para o estudante de psicologia Erico Bertolitte, 23 anos, que participou ontem da sessão de cinema e do debate, a proposta de revelar um pouco do cinema transgressor na universidade é positiva, ainda mais na Unisinos, que possui um curso de cinema. "Acho importante disponibilizar para o aluno os mais diversos materiais visuais, proporcionando novos questionamentos e outros enfoques". Julio Gereling, 23, do curso de História, foi outro que aprovou a idéia. "É importante abrir espaço dentro da universidade para se discutir um tipo de cinema que normalmente as pessoas não têm acesso com muita facilidade".
O "Sinema"
Como Uma Forma De Transgredir:
"O cinema nacional tem salvação e ainda vou provar isto com meus filmes bagaceiros."
- Petter Baiestorf em entrevista concedida a Cristiano Zanella Como pensar em
um cinema, a arte mais cara, a serviço da transgressão? Como imaginar está forma
de manifestação artistica-cultural extremamente burguesa sendo realizada com
pouquíssimo - quase nenhum mesmo - dinheiro? Um cinema que não mendiga dinheiro
público ao governo, um cinema pobre, mas livre. É isto mesmo, o cinema como
estética da transgressão. Indo de encontro a uma discussão acerca de formas
honestas de se realizar cinema e ainda com o intuito de divulgar gêneros obscuros
como o Gore, o Splatter, enfim o cinema-B e os Trash-movies em geral, em novembro
contaremos com a presença do cineasta catarinense e sempre polemico Petter Baiestorf
na unisinos. Em mais uma atividade do DES (grupo de Debates e Estudos Sociais),
o qual conta com o imprescindível apoio dos Diretórios Acadêmicos de Filosofia
e de Ciências Sociais. Para quem não conhece Petter Baiestorf, ele é um incansável
agitador da contra-cultura e do underground tupiniquim, um critico acido do
cinema nacional, do seu marasmo e de sua moral. É também o cérebro por traz
da produtora de cinema underground Canibal Filmes, além de editor de diversos
fanzines. Baiestorf possui em seu currículo dezenas de filmes, gravados em VHS,
entre curtas, medias e longas-metragens, com títulos como: "Boi Bom", "Zombio",
"Blerghhh!", "O Monstro Legume Do Espaço" (O clássico canibaru), dentre outros.
Petter estará por estes pagos a fim de impulsionar uma discussão acerca do cinema
independente, transgressor e escatológico, bem como divulgar seu trabalho. Cinéfilos
de plantão não percam, pois como disse o cineasta Júlio Bressane: "A partir
de agora, ninguém vai poder falar em cinema brasileiro sem incluir o Baiestorf."
E quem é viciado em filmes não convencionais ou quer saber mais sobre os mesmos
não pode deixar de conferir o encontro com um dos maiores especialistas em Strange
Films, dos já citados Gore e Splatter, ao Bondage, Exploitation, Cinema Marginal,
Boca do Lixo, Troma e afins. Está programado a exibição de alguns curtas-metragens
de sua autoria e logo em seguida uma palestra que ira na linha de "como fazer
seus filmes sem dinheiro", para após abrirmos para o debate. O eventro com entrada
gratuita aconteçe dia 17 de novembro na sala 1C110 do Centro de Ciências Humanas
(C1), às 17h.
DANI-EL MACEDUSSS