Mini-Entrevista
Com Petter Baiestorf:
Por: Roger Psycho (Horror Gore
Zine B #11 - Junho/2001)
Zumbis devorando carne humana, comedores de fezes, pus, sangue, mulher pelada,
música extrema ... Tudo isso em filmes de baixo orçamento, ou
se preferirem, filmes B. Paixão em todo mundo, esses no caso com muito
splatter/gore, cortesia de Petter Baiestorf. Nesta edição consegui
uma entrevista com Petter e, de antemão já agradeço pelo
tempo concedido para isso. O novo filme (Raiva) já está disponível
e em breve terá resenha neste zine. Enquanto isso aproveitem a entrevista
...
01 - Qual foi o 1º filme que você produziu?
Baiestorf: Foi “Criaturas Hediondas”, uma comédia de humor negro com cenas gore onde a gente avacalha com as ficções dos anos 50 e seus ataques de Marcianos hilários malvados. Isso em 1993, aí dois anos depois fiz “O Monstro Legume do Espaço”, um filme escatológico que nos EUA compararam aos primeiros filmes de John Waters. Hoje considerado um clássico das produções undergrounds do Brasil.
02 - Quais são suas primeiras influências?
Baiestorf: Sou influenciado por tudo. Cinema pornôgore japonês, sleaze europeu, trash-movies americanos e psychotrônicos em geral. Sou influenciado também por textos de escritores surrealistas e bandas legais, como Impetigo e The Cramps, por exemplo.
03 - A trilha sonora de seus filmes é maravilhosa. Você escuta regularmente esse tipo de som? Como é a cena em Palmitos?
Baiestorf: Tu fala do som mais porrada, certo? Sou fã fanático de bandas como Impetigo, Lymphatic Phlegm, Flesh Grinder, Feculent Goretomb, Vômito, Sarcastic, Machetazo, etc ... Adoro todas as bandas da cena Splatter/Gore. Cena musical porrada em Palmitos não existe. Tem produção underground em vídeo e vários escritores surreais/de horror/sarcásticos, mas ainda nada de música que presta ...
04 - O cenário splatter/gore no Brasil pode ser considerado cult. Você acha isso bom pro mercado ou não?
Baiestorf: Que mercado? ... Sabe, sou da opinião de que deve-se produzir, vender e tentar se melhorar naquilo que se faz. Os que são bons permanecem e aqueles que produzem com o coração também. Os modistas passam longe, sabe, o gore não é o que podemos chamar de “cultura para massas” ... Que fique tudo como está que está ótimo ... E se ficar grande, prá mim não fará diferença alguma ... Tenho meu estilo, às vezes faço filmes de arte que são até mais anti—comerciais que meus projetos gore. Não mudo meu jeito de produzir para agradar essa ou aquela pessoa.
05 - Como está sendo a receptividade de seus filmes no exterior?
Baiestorf: Estados Unidos e Europa, no mercado alternativo, há bastante interesse. Já participei de mostras competitivas e o resultado sempre foi satisfatório. O único entrave é a língua portuguesa, que ninguém entende e filmar em inglês é contra meus princípios e legendar os filmes custa grana. Vamos ver os próximos projetos ...
06 - Filme que mais gostou e
qual te marcou mais?
Baiestorf: Todos foram divertidos. Filmar o “Blerghhh” foi uma loucura.
O que me deu mais prazer de ver pronto foi o transgressor “Sacanagens
Bestiais dos Arcanjos Fálicos”, que ficamos 2 anos filmando o dito
cujo !!!